Direito através de mim cara

U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 3: Conduzir no UK]

2020.10.02 09:03 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 3: Conduzir no UK]

Olá amigos. Hoje vamos novamente falar de carros, desta feita das diferenças que encontrei entre a condução no UK e em Portugal. Como é meu hábito e apanágio, vou desperdiçar o vosso tempo a explicar porque é que eu acho que as diferenças são o que são, em vez de prestar o serviço útil que seria especificar quais as diferenças exactas. Pode ser que se consigam tirar umas pelas outras.

Take-Aways Principais

Guinar para a direita em caso de emergência

Guinar (verbo): * dirigir um veículo abruptamente numa certa direcção, normalmente como reação a algo abrupto e inesperado; * mudar radicalmente de opinião acerca de um assunto, normalmente porque a opinião anterior deixou de nos ser vantajosa (ver: política).
Quando se começa a conduzir muito novo, como foi o meu caso, desenvolvem-se instintos para certas coisas. Por exemplo, se se nos apresenta um perigo de frente, então o instinto é o de encostar à direita primeiro e fazer perguntas depois; toda a gente treina a encostar à direita, por isso todos fazemos o mesmo e todos ficamos todos em segurança. Não tem que haver pânicos nem descontrolos; há que colocar o veículo em segurança (seja lá qual for o estado anterior) e depois logo se vê o que é que se faz e fez e de quem é a culpa.
Isto é, até conduzirmos num país em que toda a gente guina à esquerda, claro.
Um dia destes atravessava uma pequenina aldeia no interior profundo do Sudoeste. (Uma pequena tangente: as aldeias pequeninas do interior profundo do Sudoeste são das coisas mais bonitas que já vi. Tropeçam-se em abadias da idade média e em monumentos pré-históricos, é incrível.) Obviamente, a rua era estreita demais para caberem dois carros. Nestes casos noto os meus instintos continentais a tomarem conta da condução, e dou por mim a colocar o carro mais à direita que à esquerda. Não tem mal; de qualquer modo vou sozinho. Pouco depois a rua abre-se numa (espectacular) praça ampla e deparo-me com uma senhora num Range Rover em claro excesso de velocidade directamente à minha frente, dirigindo-se na minha direção e, portanto, na direcção do meu precioso carro novo. Eu guinei à direita, ela guinou à esquerda (dela), bom travão e ficámo-nos pelos embaraços. Ela deitou as mãos à cabeça, e eu tive que dar o braço a torcer; regressei ao meu lado da estrada de olhos fixos em frente. Travões foram testados, palavrões foram ditos, lições foram aprendidas.
Eu defendo que a adaptação à condução no UK se divide em 4 fases mais ou menos distintas:
  1. Primeiras semanas: "foda-se caralho de onde é que veio aquele não sei fazer nada ai vem aí uma rotunda AI FODA-SE AFINAL SÃO DUAS VALHA-ME NOSSA SENHORA VAMOS TODOS MORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEER----"
  2. "Afinal isto até se faz": começa-se a ganhar alguma confiança e deixa-se o "piloto automático" tomar conta de vez em quando.
  3. "Afinal não": apanha-se um susto (vide senhora do Range Rover), e a condução volta a ser tensa.
  4. Verdadeira adaptação: depois de uns milhares de quilómetros e de umas idas a Portugal, um tipo nota finalmente que parece tão familiar conduzir de um lado como do outro. Não há hesitações, consegue-se prever o fluxo do trânsito, sabe-se onde andam as rodas, e por aí fora.
Este episódio marcou a minha fase 3. Naturalmente, neste momento encontro-me na última destas 4 fases, o que se consegue facilmente compreender uma vez que não vejo o futuro. Ainda assim parece-me razoável que assim seja: é comum os processos de aprendizagem e adaptação se fazerem em "tentativas", em ondas e bochechos até estabilizarem em algo confortável. Cavalgamos no sentido de nos sentirmos melhor, mais confiantes, e por isso tapamos buracos no chão com tábua fina. Quando pisamos a tábua ela racha, e aprendemos que temos que a trocar por tábua mais grossa.
O instinto é, pelo menos para mim, uma parte muito importante da condução. Eu habituei-me a ter uma noção quase extra-corpória de onde está o carro, onde vai passar, o que é que os outros estão e vão fazer, etc. E todo o processo é completamente inconsciente: basta-me ir com atenção e toda a condução se faz suavemente e por si própria. Aliás, uma das primeiras coisas que notei quando comecei a conduzir aqui foi o quão exausto estava depois de uma viagem; todo o processo era muito mais manual, muito menos fluído e muito mais difícil de manter.

Conduzir é mais que guiar, é comunicar

Eu não sei das vossas inclinações filosóficas, mas eu cá perco-me um bocado com pesquisas; vem com o trabalho na academia, suponho. Ora sucede que, segundo se consta em ramos como a Psicologia, a comunicação entre pessoas é muito mais do que verbal. Claro que todos nós sabemos, conscientemente ou não, que isso é verdade: uma mulher dizer "não" enquanto morde o lábio é muito diferente de dizer "não" enquanto nos esbofeteia, o que por sua vez é muito diferente de dizer "não" enquanto nos esfaqueia no abdómen. O que ela disse foi o mesmo, mas a intenção era claramente diferente. São essas subtis marcas não-verbais que fazem toda a diferença na interacção do dia-a-dia.
Ora a condução, na medida em que envolve uma série de processos de mediação, não é mais que uma forma de comunicação. Ao colocarmos o carro em certo local indicamos que queremos avançar; os piscas indicam para onde vamos (quando se usam); podemos acenar para ceder passagem, ou abanar a cabeça para explicar pacientemente que não pretendemos ceder passagem. Podemos buzinar para expressar descontentamento, ou ofensa, ou felicidade porque o Benfica ganhou. Podemos trocar o escape por um barulhento para comunicarmos a todo o mundo que somos profundamente atrasados mentais. Podemos colar o logo da FPF na mala do carro de modo a mostrarmos a todos que não só somos portugueses, como também não sabemos distinguir o futebol dos verdadeiros símbolos nacionais. Podemos até abalroar um peão ou um ciclista como forma de lhes fazermos ver que a estrada não é sítio para eles.
Todos estes actos são pequeninas mensagens que indicam aos outros utilizadores da via o que pretendemos fazer. A condução está cheia destas pistas. É como manter uma conversa: "eu vou para ali", dizemos nós com o pisca, "ok, mas eu passo primeiro", diz o outro condutor avançando, "ok, passa então", dizemos nós parando, e por aí fora. Ora, como em toda a boa forma de comunicação, povos diferentes falam línguas diferentes. Eu defendo que na condução se passa exactamente o mesmo.
Em Portugal a comunicação entre condutores é muito franca e aberta: toda a gente que vai mais devagar que eu é um caracol do caralho, e toda a gente que vai mais depressa é doido. Ninguém passa à frente porque eu é que sou importante, e outros que tais típicos silogismos Latinos. Obviamente que a mim, como português, a "língua" a mim me parece aberta, clara e óbvia. A habituação ao estilo português de condução permite-nos prever muito bem o que é que vai acontecer, e decidir de acordo com isso. Conseguimos saber quando esperar que o veículo à nossa frente acelere, sabemos como esperar que reaja a mudanças no limite de velocidade, sabemos como reagir a uma travagem na autoestrada, etc. Estamos integrados na massa de condutores que nos rodeia, aos quais estamos unidos por uma teia de micro-acções (não confundir com a fraude das micro-expressões) que nos fazem entender uns com os outros de forma natural, quais formigas no carreiro.
Um condutor estrangeiro topa-se à distância. Na minha terrinha é costume receberem-se alguns carros de matrícula francesa entre o fim de Julho e o início de Setembro, mas nem era preciso olhar para a matrícula! A forma como se posicionam, como contornam uma rotunda, até como avaliam quando entrar num cruzamento traem logo a estrangeirisse (ou a emigrância longa). Claro que o logo da FPF no vidro de trás acaba por denunciar muitos, mas garanto que também não era preciso. (Nota: ainda não apliquei no meu carro o obrigatório logo da FPF. Eu pensava que me chegava um pacote da embaixada assim que comprasse o carro, mas noto que até nas coisas importantes a diplomacia portuguesa me está a falhar.)
No UK, as pessoas parecem ter para a condução a mesma atitude que têm no dia-a-dia umas com as outras: uma certa vontade de não agravar, uma delicadeza assertiva e um pragmatismo típico que tornam o processo bastante diferente do nosso. Isto complica a habituação à condução aqui para lá do óbvio "fazer tudo ao contrário". Eu até diria que a condução à esquerda é uma falsa barreira, e que a adaptação é muito mais profunda que isso. Existem expectativas diferentes, dicas diferentes e assunções diferentes. Numa palavra, o trânsito inglês é "ordeiro". As filas unem-se por "zippering", os limites de velocidade são respeitados, as manobras anunciam-se atempadamente com piscas. As marcas da estrada são claras, abundantes e respeitadas. Não se fazem arrancadas, não se corta à frente de ninguém; estamos todos nisto juntos. O trânsito é cooperativo e não adversarial. Obviamente que há excepções, mas estamos aqui a falar no sentimento geral e esse é, sem dúvida, muito diferente do português.
Inicialmente, a sensação é assoberbante. É como tentar falar uma língua que nunca falámos antes. Eu não sei o que é que estas pessoas estão a fazer, nem porquê, nem com que intenção. Obviamente estamos todos a tentar chegar a algum lado, mas os detalhes escapam, e toda a gente sabe que o diabo está nos detalhes. É como ouvir alguém falar criolo: eu percebo algumas palavras, uma expressão aqui e ali que traem a origem portuguesa, mas a mensagem global ilude-me. Uma coisa que fez muita diferença foi entender que as rotundas pequeninas (aquelas desenhadas no chão) na realidade não são rotundas; são cruzamentos. Dá-se prioridade à direita, e não se entra lá dentro enquanto lá estiver alguém. Entender isto foi um salto enorme para mim.
Como é óbvio, o episódio ali acima da senhora do Range Rover foi coisa comum durante algum tempo. Entrei mal em rotundas, parei em cima de grelhas, fiz outras coisas completamente erradas por não entender um sinal, e por aí fora. Curiosamente, nunca andei em contramão nem nunca achei particularmente estranho conduzir ao contrário. A Maria diz que puxo um bocadinho à direita quando estou distraído, mas eu acho que é do vinho que ela bebe ao almoço.
Eu suspeito que haverá toda uma área de estudo acerca desta ideia de "conduzir é comunicação", porque não sou esperto o suficiente para estar aqui a descobrir ramos da filosofia. Até podia jurar que li um paper ou dois sobre as teorias de negociação de cruzamentos, e da forma como isso se podia codificar como linguagem. Ou então sou parvo. ¯\_(ツ)_/¯

Mais devagar é lesma, mais depressa é acelera

A velocidade é um exemplo óbvio de um aspecto da condução em que Portugal e o UK são radicalmente diferentes. Ora eu, português de gema, chego à A1 e afino o cruise control na velocidade mais elevada a que posso circular sem ser multado: 150. A essa velocidade, meros 30km/h acima do limite legal, vou constantemente a ultrapassar e a ser ultrapassado. Há uma certa formalidade em todos os desvios: a velocidade obriga a que as mudanças de faixa sejam feitas cuidadosamente, indicadas com antecedência, e até avisadas com sinais de luzes durante a noite. Acelera sim, parvo não.
Por outro lado, em terras de Sua Majestade a velocidade é o inimigo número 1; o condutor médio aqui seria visto em Portugal como "uma lesma do caralho". Mas pensemos um bocadinho: andar depressa é muito bonito, mas suponhamos que eu não sou novo, ou que estou cansado, ou que acabei de receber más notícias. Conduzir depressa nessas condições é geralmente uma má ideia mas, mais do que isso, a minha capacidade de prever o que fazem os aceleras fica fortemente diminuída. Se todos respeitarmos o limite, que por sua vez deve ser mais ou menos sensato, então garantimos que a estrada é um ambiente mais inclusivo e menos perigoso para todos. Consequentemente, torna-se muito menos excitante para nós, pessoas novas e (excessivamente) confiantes, que gostamos de apertar. Além disso, a velocidade é fortemente fiscalizada e as multas são muito caras.
Não, a sério, as multas são muita caras. Vi os preços e decidi que andar devagar já não me incomodava assim tanto.
Inicialmente, atravessar uma aldeia a 30mph trazia-me ânsias. "O que é que eu vou a fazer a esta velocidade? Vou ficar velho antes de lá chegar!"" Mas com o tempo habituei-me a um estilo de condução mais lânguido, mais relaxado. Posso ouvir uma musiquinha ou um podcast enquanto atravesso a aldeia nas calmas. Nada de mal me vai acontecer porque, francamente, indo a 30mph pára-se quase instantaneamente. É quase zen!
As estradas de campo, pelo menos para estes lados, são uma experiência completamente diferente. O limite de velocidade por omissão numa A ou B road é de 60mph, aproximadamente 100km/h, ou 10km/h mais alto que o limite português. A isto alia-se uma característica interessante das estradas secundárias inglesas: são muito estreitas e não têm bermas; aqueles 60mph parecem 200! É possível praticar uma condução muito divertida, perfeitamente dentro dos limites da legalidade e da segurança. Para pessoas se viram forçadas a comprar um carro menos pontente do que inicialmente esperavam, é muito bom ainda assim se conseguir tirar algum prazer da condução mais "dinâmica".
Ainda assim, na presença de outros carros volta-se ao ordeiro. E isto nota-se até na condução de outros: é comum ir calmamente por estas estradas, e ver um carro aproximar-se por trás com uma atitude mais aventureira, apenas para depois se colocar tranquilamente atrás de mim como se nenhuma pressa alguma vez tivesse tido. Nada de tailgating, nada de tentativas parvas de ultrapassagem, apenas refrescante respeito pelo meu direito de respeitar o limite de velocidade naquela particular situação. E quando há uma aberta ou uma secção de duas faixas, então lá vai ele com pressa outra vez. A chico-espertice parece mais rara.

Toda a gente em todo o lado

Há um aspecto da sociedade no UK, pelo menos aqui no Sul, que nunca vejo discutido quando se fala em viver cá: este país é muito mais congestionado que Portugal. Há mais pessoas em todo o lado, há escassez de casas, há muito trânsito. Eu estou habituado a atravessar a estrada de campo entre Coimbra e a Figueira a meio da noite sem me cruzar com absolutamente ninguém. Tal coisa nunca me aconteceu aqui. Mesmo com uma rotina algo fora do comum, estou sempre limitado pelo trânsito onde quer que vá. Isto resulta, geralmente, numa condução mais lenta e aborrecida do que aquilo a que podemos estar habituados em Portugal. Ou, agora que já estou habituado, numa condução mais zen.
A própria infrastrutura contribui de forma negativa para isto. Pelo menos em relação ao que estou habituado, a rede de autoestradas do UK é menos extensa que a portuguesa (em relação à população e à área). Eu estou muito habituado a, onde quer que vá em Portugal, haver autoestrada quase de porta a porta. Claro que ter vivido sempre em cidades com bons acessos é um factor importante! Mas há vários caminhos relativamente extensos que faço com frequência, entre sítios "importantes" aqui, para os quais não há nenhuma ligação rápida. De um modo geral, noto que demoro mais tempo a cobrir distâncias semelhantes vs o que fazia em Portugal. A distância Bristol-Londres parece muito, muito, muito maior que a distância Coimbra-Porto. Claro que é maior, mas parece ainda maior do que o maior que já é.
Com uma rede de autoestradas com menos cobertura, torna-se muito comum as estradas de campo, aquelas bonitas das quais a gente gosta, estarem congestionadas: trânsito de caminho casa-trabalho-casa, trânsito agrícola, camiões ou bicicletas, etc. Assim, apesar de o limite de velocidade nas estradas de campo ser elevado, é relativamente raro conseguir-se fazer uma viagem com alguma distância a uma velocidade média decente. Como as estradas são estreitas, e como há aquele respeito a todo o trânsito, é muito mais difícil resolver isso com ultrapassagens.
Um aparte, e sabendo que é uma opinião altamente controversa e que só me vai trazer chatices: eu entendo que se um ciclista
então é um filho da puta e devia-lhe crescer um ananás no cu. Eu percebo que toda a gente tem direito a utilizar a infraestrutura. Eu entendo que o ciclista tem tanto direito a usar a estrada como eu. Mas do mesmo modo que os camiões de vez em quando encostam para deixar passar a fila, não ficava nada mal ao menino da licra fazer o mesmo. Eu quando sei que vou andar devagar, por exemplo porque vou em passeio ou a ver a paisagem, então também encosto de vez em quando para deixar os outros passar; lá porque eu posso usar a estrada para fazer isso, não quer dizer que seja fixe atrasar toda a gente que tem o azar de vir atrás de mim. É altamente irritante fazer 10km ou mais em segunda atrás de uma fila gigante, e chegar atrasado a todo o lado, só porque o Barry decidiu que hoje era dia de salvar o planeta. Po caralho, Barry.
A condução em autoestrada é muito diferente da nossa. Obviamente que há aceleras, mas regra geral o trânsito flui "en bloc" a 75 mph, suspeito porque o cruise control é muito comum cá. A diferença de velocidade entre caros é muito menor, e simultaneamente a velocidade absoluta a que todos circulamos é mais baixa. A condução em autoestrada parece menos "formal" do que em Portugal. É mais fluída, mas de uma forma desagradável: os ingleses não têm reservas nenhumas em meter pisca e atravessarem-se à nossa frente a 75mph. As ultrapassagens são muito frequentes, mas fazem-se com diferenciais de velocidade muito mais baixos, e por isso demoram muito mais tempo. Há muito mais trânsito de pesados na autoestrada, por isso são mais esburacadas e vê-se muito "snail races", aquele fenómeno em que um camião que circula a 61.2mph demora 2847289167219 horas a ultrapassar um camião que circula a 61.19mph.
A questão do congestionamento também se aplica, naturalmente, ao estacionamento. Os lugares são relativamente limitados e normalmente são pagos. Nem todas as casas que estão disponíveis para arrendacomprar têm estacionamento associado e, particularmente nas cidades, ter estacionamento privado é claramente um luxo. Eu tenho estacionamento privado neste bloco de apartamentos, mas isso é relativamente raro até aqui no campo. Sempre que quero visitar algum local faço questão de escolher de antemão onde é que pretendo estacionar, e até aponto o GPS logo para o estacionamento. Mas nem tudo são más notícias: é normal haver estacionamento pago e relativamente fácil em qualquer sítio que se queira visitar, e os preços normalmente não são horripilantes. Um contra-exemplo fácil é o centro de Bournemouth, onde normalmente pago umas 8£ para estacionar durante 6 horas. E uma boa parte dos estacionamentos aceita pagamento contactless, e alguns até são completamente ticketless, o que até é fixe. De um modo geral:

Conclusão

Eu podia escrever sobre conduzir durante dias, e talvez revisite o assunto no futuro. Não só é uma actividade que me traz uma satisfação imensa, como é algo que me intriga intelectualmente. Parece obviamente uma má ideia alguém propôr "ei zé, vamos dar a cada pessoa um caixote de lata de 2 toneladas, e fazê-los andar em velocidade, em sentidos opostos, a meros centímetros uns dos outros". Toda a experiência parece condenada à catástrofe mas nós, do nosso jeito humano, lá fazemos a coisa funcionar. É muito interessante ver que não só fazemos com que a condução seja algo que seja útil, como povos diferentes têm abordagens diferentes à "solução" para que funcione. Nós cultivamos um estilo de condução, os ingleses outros, e com um bocadinhod e tradução até acabam por encaixar.
Como referi antes, nesta altura acredito que a condução à esquerda é um "red herring" (um peixe vermelho?) no que toca ao processo de adaptação à condução aqui. Conduzir à esquerda é estranho, concedo, mas não é o mais estranho. Uma parte crucial da condução é sermos capazes de prever o que os outros vão fazer, de sabermos o que esperar e, posto de uma forma simples, as coisas aqui são diferentes.
As estradas estreitas de campo foram a salvação da minha saúde mental durante o lockdown. Estar fechado o dia todo, legalmente impedido de sair para tudo o que não seja essencial e receoso do contágio, é algo que pesa na mente. A possibilidade de me fechar seguro dentro do carro e passear foi um escape gigante. Geralmente, adoro conduzir aqui, nem muito mais nem muito menos que em Portugal. São dois estilos diferentes, mas ambos têm as suas virtudes.
É importante mencionar novamente, para benefício de quem lê na diagonal, que a minha experiência é altamente individual e que procurei relatar o espírito geral da vivência através de uma generalização que pode não funcionar. Obviamente que há excepções; obviamente que há parvos em todo o lado, e por vezes o parvo sou eu.
Para o próximo episódio estou a pensar fazer uma espécie de "rescaldo das crises" e cobrir o Brexit e a pandemia mais ou menos como um. Apitem na caixinha se acham boa ideia.
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.

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Referências

Hoje não há :)
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2020.09.30 21:06 pla-to Escritor a beira do colapso

Olá, Brasil
hoje venho lhes apresentar meu dilema. Gostaria de saber se os senhores podem me auxiliar, pedindo desculpas antes mesmo de começar a me explicar, tendo em vista o tamanho do post que abaixo segue. Para quem possuir a paciência e a resignação de ler até o final, só me faz possível agradecer e lhe estender um virtual e fraternal abraço.
tl;dr>! sou bipolar e gosto de escrever, não tenho um puto no bolso pq anos de estudos de filosofia e literatura me tornaram incapaz de conviver de maneira adequada nessa sociedade doente, peço que avaliem meu trabalho para que eu saiba se há futuro para mim na escrita e, também, que me ajudem com conselhos profissionais, doações ou de qualquer outra forma para que eu possa sair da cidade em que resido e busque um lar em São Paulo.!<
Vamos lá:
Me chamo Dillon Hagar (meu pseudônimo literário) e tenho ~30 anos. Sou formado em direito e administração com pós em direito penal e processual penal, não que isso me seja muito relevante sobre quem sou, acredito estar mais relacionado com minha história.
Venho de uma família brasileira típica: meu pai e minha mãe são pessoas honestas que sempre trabalharam (muito) para buscar oferecer o melhor para meu irmão e eu. Apesar da extrema formalidade que compele o viver dos dois, sei por fato e história o quanto eles nos amam. Meu pai sempre foi um cara absurdamente estourado e - até recentemente - acreditei que isso era apenas seu jeito de ser, afinal o cara já engoliu alguns sapos da vida (principalmente de sua falecida mãe).
Talvez pelo fato de ser tão estourado, permiti por muito tempo que minhas escolhas fossem feitas por mim, afrontar seus nervosismos só me gerava ainda mais ansiedade. Sempre me foi difícil o necessário pisar em ovos com ele, já que somos pessoas absolutamente distintas. Seu ideal de justiça é através da imposição da violência enquanto sou apenas um advogado que valoriza o debate, defende as garantias e direitos individuais e conhece um pouco das mazelas do nosso maravilhoso Brasil.
Fiz uma faculdade (duas, se prezar pela especificidade) que me habilitaram em uma profissão que não tinha e nem tenho a menor intenção de exercer. Sou advogado inscrito na OAB/SP, porém tudo que gostaria de fazer é rasgar minha carteira e escrever... Mas tudo bem, quem não é advogado hoje, não é mesmo?! Está ai a primeira vaidade formal que meus pais têm sobre mim que não faço questão.
Tenho um irmão mais velho (programador) que, com muito trabalho e talento, conquistou seu lugar ao sol nesse caótico mundo e foi morar em outro país, longe do julgamento dos velhos.
Para o caçula, restou apenas buscar se adequar a sociedade de uma cidade do interior paulista (~180k habitantes, ~450km da capital) e tentar ganhar algum dinheiro, porém, como fazemos isso quando não há oportunidades e se é um desarticulado?
Aos melhores empregos, não possuo a experiência. Para os demais, sou mais qualificado do que deveria. Sou um monstro em pele de homem, vagando por uma cidade que não parece ter o interesse de recepcionar o diferente.
Veja bem, estimado leitor. Sei o que sou e, acredito que aqui, seja o momento ideal para dizer o bestial ser que lhes redige este biográfico texto. Minha sinceridade é inata, não posso me mostrar por menos, não me sentiria bem comigo mesmo se não soubessem quem realmente é aquele que lhes pede algo.
Há alguns anos - graças a uma maravilhosa ex-namorada psicóloga - contrariado pelos meus pais que sempre viram saúde mental como tabu, decidi buscar ajuda profissional para tratar o vazio existencial que existe/ia dentro de meu peito. Após 6~8 anos de terapia e pelo menos outros 6 de clínica psiquiátrica, me deparei com o diagnóstico de um distúrbio de personalidade, "Transtorno de bipolaridade tipo 2", dizem os médicos. Como gosto de informalidades, prefiro chamar apenas de "meus demônios".
"Meus demônios" por muito tempo foram seres antagônicos dentro de mim, me aterrorizavam madrugadas a dentro, cochichando terríveis segredos em meus ouvidos. "Nunca serás o suficiente", "aqueles que dizem te amar riem de ti", "se tens medo de monstros olhe bem para dentro de si: tu és o monstro de quem teme". Nada legal, não?!
Medicação e terapia me tornaram inteiros, ao menos o suficiente para que tomasse as forças necessárias para meu "salto de fé", me fazendo no começo do ano finalmente deixar o ninho e buscar continuar somente com a força de minhas próprias pernas. A felicidade e a esperança, como bem sabem do ano de 2020, talvez tenham sido mal colocadas.
Surpreendentemente, mesmo com as coisas nesse plano de existência estarem indo em vertiginoso declínio, me encontro de certa forma bem e feliz comigo mesmo. "Meus demônios" agora são seres integrados em minha convivência e, com a força do estudo da filosofia (valeu Platão, estoicos, Nietzsche e demais) e outros literatos, descobri que não deveria mais temer minha patologia. Aprendi que ela sou eu e eu sou ela, essa "bipolaridade" que me faz navegar tão rapidamente entre humores é tão somente parte de quem sou. Se antes terapia e remédios eram minha cura, hoje digo com propriedade que aprendi ser minha própria mirtazapina. Se antes chorar de manhã e sorrir de tarde eram um problema, hoje aprecio o fato de lacrimejar enquanto escuto Avril Lavigne (que mulher!), mais tarde me abraçar ao som de Dream Theater e me odiar durante as madrugadas com Witchcraft ou Void King. Música, filmes e livros: ai está minha eterna companhia.
Pois bem, caríssimos estranhos. Sou o que sou e não lhes nego! Talvez esse seja o maior trunfo do anonimato: a possibilidade de ser quem quiser ser sem o prejuízo de julgamentos. Espero que minha sinceridade não lhes seja ofensiva ao decoro, para os que até aqui chegarem agradeço de coração sua insistência.
Ok, ok, divago! Vamos voltar ao ponto central e motivo desse texto: Não tenho amigos e não tenho emprego. O primeiro se deve ao fato de que sou quem sou: aprendi a duras verdades que em uma cidade deste tamanho existem mais pessoas dispostas a lhe julgar do que entender. Geralmente fogem quando confesso ser bipolar ou quando descobrem que não tenho medo de estar em contato com meus sentimentos. Que coisa não?! Em pensar que o que todos buscavam era verdadeira conexão e honestidade nas relações. Mas tudo bem, quem lhes redige sabe que sua intensidade pode ser exigente demais da disponibilidade dos outros, procuro não julgar os que me negam.
Já para falta de emprego talvez seja uma consequência lógica do primeiro: Em entrevistas de emprego costumo ser brutalmente honesto com meu empregador (afinal não é o que pedem?), ainda há pouco me perguntaram qual o meu salário ideal, quando respondi minha quantia, balançaram a cabeça em sinal negativo e disseram que era incompatível. Quem sabe não tenha sido o mais inteligente de minha parte dizer que "talvez o senhor não devesse fazer perguntas que não lhe agradam a resposta, achei que me perguntavas o que eu queria, não que buscasse adivinhações". Sim, sou este tipo de ser. Novamente perdão se lhes ofendo, reafirmo não ser minha intenção. Convido-lhes para uma reflexão, amado desconhecido: poderia eu, sendo quem sou, responder diferentemente?
Pois bem, venho fazendo o que todo jovem advogado têm feito: ofereço serviços jurídicos a preços módicos (que costumeiramente adapto aos meus clientes como forma de lhes ajudar). Sou criminalista mas somente atendo um seleto tipo de criminosos: àqueles a quem se não oferecido um serviço jurídico, muito provavelmente seriam engolidos pela máquina punitiva do Estado e integrados ainda mais a criminalidade. Não advogo para partidos criminosos e muito menos para criminosos de carreira, minha intenção é ajudar e não livrar-lhes de culpa. Talvez percebam aqui os motivos de porque não me restar dinheiro...
A fim de dedicar ainda mais honestidade à este texto, digo-lhes que tenho sim uma amiga. Uma sócia-comparsa, somos advogados e trabalhamos juntos coletando moedas enquanto tentamos ajudar, um pássaro de asa quebrada por vez.
Novamente divago, perdão. Ao ponto então: bem, como já devem tê-lo percebido, meu negócio é a escrita. Amo escrever, estudo latim por hobby, leio dostoievisk por esporte. Escrevo poemas, poesias, cartas, o que quiser. Dedico aos meus amigos e conhecidos aquilo que posso oferecer: no meu caso é o que coletei em meus 30 anos de existência. Você tem um problema amoroso? Ótimo! Sou teu brother e lhe farei uma carta ou um poema para que sares o coração, ó jovem apaixonado! Lhe incomoda a ansiedade saber que em breve terá que defender seu TCC? Maneiro, meu parceiro! Dedicarei à ti minha próxima carta sobre como deve se lembrar que em outra época, também já se apavoraste com o vestibular mas, ainda assim sobreviveste. Aproveito para lhes endereçar esta pergunta: Como se sentiriam se alguém lhes dedicasse uma carta sobre um problema que você confessou ter? Enfim, acho que pegaram o fio da meada.
Atendendo ao meu cósmico chamado, neste mês de setembro (setembro amarelo, lembro), silenciei meus demônios e passei a publicar alguns de meus textos, cartas e poemas em meu facebook particular. Alguns receberam mais likes que outros, alguns nenhum. Devo dizer que me dói saber que minha escrita às vezes não é apreciada.
Ao verem uma suculenta oportunidade, meus "dêmos" foram atiçados e voltaram a sussurrar. A minha vantagem é que neste momento, estando um bocado mais forte que antes, pensei que talvez não devesse eu ceder a régua que me mede à mão de pessoas que porventura não são verdadeiramente amigas. Improvável mas possível...
Sem dinheiro, sem perspectiva e sem companheiros, resto sozinho vivendo em um apartamento quase de favor com um conhecido. Gostaria de me mudar para São Paulo e conhecer todas aquelas pessoas estimulantes que pertencem àquele maravilhoso lugar, porém, como, se não disponho de condições nem para minha terapia e psiquiatra? Às vezes sinto que minto para as duas quando digo que estou bem, em ordem de fazer diminuir o número de sessões e medicamentos que preciso despender. Mando meu amor para as duas: não fosse por elas e os descontos absurdos que me proporcionam (na terapia, pago menos da metade; na psiquiatra, 1/3), talvez eu não estivesse me sentindo tão radiante. Não é lindo quando profissionais se despem de sua autoridade e tocam outro humano apenas como um humano?
Pois bem, venho até este maravilhoso sitio eletrônico e lhes peço: sejam meus juízes! Convido-lhes ao meu julgamento e de meu trabalho. Serei eu um bom escritor? Existe um ofício por trás destra escrita? Poderia eu tudo abandonar e - quem sabe finalmente - me encontrar alinhado e instrumentalizado pelo senhor universo através da bela e indescritível energia cósmica enquanto escrevo? Acredito que o tempo e os senhores podem me dizer...
Encaminho o link de meu tumblr (tumblr pra escritor br, ok, isso é ainda de se analisar), nele encontrarão algumas de minhas escritas publicadas nesse mês de setembro. Caso a paciência e a boa vontade acompanhem os senhores e senhoras, peço gentilmente que leiam, avaliem e sentenciem neste post o que considerarem pertinente. Caso estejam cansados de minha presença e queiram buscar apenas o poema mais lido, acredito que tenha sido este.
Para aqueles que realmente creem no valor de meu trabalho, também anexo um link para doação em paypal, onde aceito qualquer valor que puderem me ceder. Por ora, fica desabilitado a possibilidade de subscreverem em assinatura as doações, antes avaliarei se há futuro para mim nesse negócio de escrita.
E para você, que precisa de alguém que lhe escreva uma carta, um poema, uma poesia, ou que tenha, sabia ou queira um empregado escritoredatofaz tudo, sabia que recebo pedidos por email ( DillonHagarF ARROBA gmail PONTO com ) ou até mesmo através desse post ou direct.
Há aqueles que me chamarão de tolo por acreditar na bondade de estranhos na internet, devo lhes dizer que não me importo. Somente atendo minha própria natureza assim como acredito que cada um deve atender a própria. Estejam todos abençoados e em paz: aos que me ajudarem, mais, aos que me ignorarem, em igual proporção.
Por fim, agradeço todos que chegaram até aqui. Vocês são seres maravilhosos e o dom de sua curiosidade proporcionou a um desconhecido na internet um momento de felicidade. Um profundo e sincero obrigado! Sintam-se amados até mesmo por quem lhes desconhece!
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2020.06.29 19:05 aquele_inconveniente Portugal: Pedro e o Lobo?

Portugal: Pedro e o Lobo?

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Preâmbulo (Resumo por ser TL;DR)
  • Gritar lobo muitas vezes sem haver lobo é contraproducente
  • Nos últimos dias verificamos uma clara motivação de deturpar imagens para impor uma narrativa de lobo
  • Quando avaliado em detalhe a situação onde se gritou Lobo teve um civismo muito superior às manifestações organizadas por quem grita Lobo
Parte 1 - O Pedro e o Lobo
Este é um tema que já mencionei anteriormente e ao qual irei dedicar algo mais aprofundado no futuro.
O conceito é que há lobos no mundo. Quando se vê um lobo é importante gritar para que as pessoas acudam ou fujam. Se gritar "Lobo!"Gritar "Lobo!" quando este não está lá tem problemas no curto e no longo prazo. No curto prazo causa histeria, medo e caos sem necessidade, no longo prazo fica normalizado e já ninguém acredita que o lobo apareceu; no final são comidos por ele.Além disso
Por esse motivo é que é considerado crime em muitos países gritar "Tubarão!" quando este não está lá, ou gritar "Bomba!" em certos espaços públicas
No caso português tenho andado a ficar preocupado. E extrema-direita tem sido sempre pequena mas organizada. Os seus membros são dedicados à sua ideologia e uma boa parte já cumpriu pena, mostrando que é capaz de assassinar e torturar em prol daquilo que eles acreditam.
Além disso, este grupo não tem vergonha da sua forma de pensar. Fazem panfletos eleitorais a dizer " "A coisa está preta, torna-a clara!" (basta ir à página do PNR para encontrar isso) e quando entrevistadas não se acanham de mostrar as armas, suásticas, bandeiras nazis e tudo o mais que exponha a sua pérfida forma de pensar.
No entanto havia um trunfo que todos tínhamos e que tinha permitido manter este grupo como algo ridicularizado, controlado e sem expressão na sociedade. Esse trunfo era sabermos quem eles eram.
Ao reservar a palavra fascista e nazi apenas a esse grupo, era fácil para a sociedade identificá-los. Sempre que alguém gritava lobo, ou neste caso, nazi, qualquer cidadão curioso que pesquisasse o nome do visado encontrava crimes de ódio, bandeiras nazis no seu quarto etc.
Mas isto está a acabar. Estamos a gritar lobo a tudo o que mexe e as consequências são previsíveis: Numa primeira fase há histeria e todos fogem ou atacam a quem se chamou de lobo. Numa segunda fase as pessoas começam a aperceber-se que afinal os lobos nunca tinham dentes e deixam de ligar a esse grito.
Acredito que estamos neste momento a passar da primeira para a segunda fase e se não pararmos com esta atitude, vamos acabar como na história do Pedro e do Lobo.
Um exemplo disto foi o que aconteceu neste fórum neste fim-de-semana.

Parte 2 - Deturpação da realidade através de imagens ("Normalizar gritar lobo")
Assisti nos últimos dias a reacções exaltadas devido à prova irrefutável de que um certo político era nacional-socialista. A prova em questão era uma fotografia com uma saudação ao estilo desse regime.
Achei estranho, não só por ser incongruente com o que esse político diz e faz, mas por ser um potencial suicídio político. Tentei encontrar o vídeo do acontecimento e reparei que tudo não passava do gesticular que as pessoas fazem quando gritam cânticos.
A foto em baixo foi tirada da manifestação de 2012 contra as políticas de austeridade. Nela podemos ver estivadores, membros da CGTP e outras pessoas a erguer os braços à medida que entoam as suas frases da manifestação. Uns esticam todos os dedos, outros deixam só um dedo esticado e há quem feche o punho sendo que muitos dos manifestantes alternam entre os três. Removi as caras das pessoas pelo direito das mesmas à privacidade. O vídeo completo pode ser encontrado aqui:

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Saindo de manifestações e entrando noutros temas onde o entoar de cânticos é comum (como as praxes estudantis) também é fácil isolar imagens que aparentam fazer uma saudação fascista
Praxe do ISCAP
Esta ideia de isolar imagens caricatas de políticos não é incomum, mas é geralmente feito para ridicularizar e não usada para espalhar desinformação o carácter do alvo. No caso de outros países penso que muitos de vós se lembrarão destas:
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Parte 3 - Quando aqueles a quem se grita "Lobo" se comportam com civismo
No caso do que aconteceu neste fim-de-semana sugiro que vejam os seguintes vídeos
https://www.youtube.com/watch?v=TnZdKuHjy64
https://www.youtube.com/watch?v=rqmLdaADZYs
Durante a manifestação vê-se um conjunto de pessoas vestida de forma normal e casual, sem barretes ou tentativas de ocultarem quem são, sem mochilas com artigos para causar violência e destruição de propriedade. Vê-se pessoas de várias cores em conjunto e a baterem palmas. Vê-se um indivíduo sozinho com uma equipa de filmagem só para ele com um bandeira de orgulho gay a ser ignorado pelos manifestantes, não só sem violência física como verbal.Vê-se também os manifestantes a usarem cordas para limitarem a manifestação e não a deixarem ocupar os passeios para que outras pessoas possam passar com distanciamento social.
A única coisa que não se viu foi violência e incitamento ao ódio, como ocorreu na manifestação anterior.
Por estas e por outras começo a achar que estamos cada vez mais na história do Pedro e do Lobo e sempre que confronto alguém com isto a resposta é sempre que o lobo está disfarçado de ovelha.
A mim parece-me, que se é necessário criar uma teoria da conspiração que ignora o que certas pessoas dizem e fazem e apenas assenta numa hipotética ideia dos seus motivos, então as acusações não estão bem fundamentadas.
Sei a que fórum me dirijo e sei que quem comentar não vai querer saber que eu tenha ideias bem diferentes do partido da última manifestação. Sei que posso ser silenciado, insultado e tudo o mais. Mas também sei que se não houver ninguém a tentar trazer bom senso e calma a democracia que hoje temos rapidamente cairá.

NOTA: Peço a quem responder que seja civilizado, quer comigo quer com outros utilizadores. Esta publicação não tem bandeira política mas apenas uma preocupação séria com o futuro da nossa democracia
EDIT: Queria-me referir à fábula "O menino que gritou lobo" de Esopo e não a "Pedro e o Lobo" de Prokofiev , peço desculpa pelo erro
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2020.04.27 07:20 BreendoCazuza O trouxa bate volta.

olá turma, matheus, tuxo, luba e papelões possivelmente.
(Desculpa ser for longa mais preciso contextualizar o pq de eu estar aqui contando). Eu tava vendo uma turma-feira #76 (trouxas) e lembrei desta história da minha vida e quis contar aqui para vós.
- O ano era 2015, eu tava no primeiro ano do ensino meio, e estudava numa escola que ficava próxima a de um shopping, estava eu lá na entrada da escola com as amigas pocs que eu tinha (eu tinha 15 anos mas já era assumido para o mundo como uma grande e gay ovelha colorida), e tinham uns mulekes dos segundo e terceiro ano lá jogando bola. Sempre fui muito sem noção/cara de madeira e comecei a dar encima de uma desses meninos, ele era lindo, vamos chama-lo de CARLS, logo carls me notou e veio a té mim e meus amigos.
-Carls: Qual foi você ta me chamando?
-Eu: Sim, queria saber se ta afim de ir no cinema com a gente, topa? -Carls: Claro vamos, deixa só eu pegar a mochila e avisar o pessoal.
Até aqui tudo bem, parece que tudo vai bem but... Quando chegamos no cinema fomos assistir Velozes e Furiosos 7, eu realmente tava cagando pro filme mas não queria dar a entender que estava caído não, despencado por ele, então me fiz de doido e quando entramos na sala de cinema sentei do lado de um amigo, logo ele veio e perguntou do meu amigo se poderia sentar do meu lado. Meu amigo sabia do meu crush por ele sentou em outro acento, então ele estava lá ao meu lado e já passava de meia hora de filme e ele nem se quer olhava para mim. Sendo assim decidir ser ousado e peguei em sua mão, ele correspondeu e rapidamente entrelaçamos os dedos e eu estava no seu quando decidir pedir um beijo dele, e até isso ele me correspondeu, e o beijo tão esperado aconteceu.
Passado isso, terminamos o filme e fomos cada um pra sua casa, e no dia seguinte na escola eu fui para aula e estava mais animado que nunca, na entrada não o encontrei e no recreio ví que ele estava na quadra sentado nas arquibancadas apenas mexendo no celular (tinham uns amigos dele jogando bola e eu não havia notado) cheguei nele dizendo,
-Eu: Eae gatinho, chegou bem em casa ontem? -Carls: Saí fora viado ta doido? -Eu (claramente sem entender): Carls ta doido? Não lembra que fomos ao cine ontem?
(Carls me empurrou GRITANDO! Ta maluco viado, fica inventando coisa de mim, aposto que vc deveria batendo um com o dedo C* pensando em mim e agora ta sonhando)
Saí de lá humilhado, machucado sentimentalmente e LITERALMENTE DEVIDO AO EMPURRÃO, não tava entendo nada direito e decidir simplesmente esquecer que aquilo tinha acontecido comigo e fingir que estava tudo bem. Uns 3 meses depois ele me procurou através do facebook, pedindo desculpas e dizendo que ele não queria que as pessoas soubessem que ficamos, eu não o respondi, 3 dias depois disso, eu estava sozinho numa parte de afastada da escola no horário do recreio, quando ele apareceu e me disse que queria um beijo apenas para que ele se desculpasse e mostrasse para mim que ele ainda queria aquilo, bom a carne é fraca e eu cedi a tentação, mas antes de ele me beijar ele levantou de onde estávamos sentados e olhou pra todos os lados para garantir que ninguém veria, fiquei puto e sem ele ver botei o celular na câmera e na hora do beijo tirei uma foto do nosso beijo.
Depois desse beijo, ele levanta e vai embora, sou uma pessoa compreensiva e sei que só saímos do armário quando é o momento certo para nós mesmos, mas nesse mesmo dai estávamos na aula de educação física e meu professor resolveu juntas as nossas turmas para adiantar o tempo da turma de Carls pois estavam com o tempo vago então no meio do meu jogo de vôlei um amigo dele grita:
-Amigo: Ei carls teu namorado ta jogando vôlei ahahah (risada de hétero top)
-Carls: Tu é doido mano, nem de viado eu gosto.
Aquilo me deixou muito puto mas como uma pessoa horrível e adolescente péssimo que eu era, engoli a humilhação mais uma vez e ão falei nada, depois disso publiquei a foto do nosso beijo de cinema no facebook e marquei a pagina a escola par que todos vissem, e ainda escrevi na legenda:
"Carls ai ta a prova de que você realemente não gosta de viado, você adoooooraaaa"
Eu não sabia na época mais o pai dele era um Policial Militar e extremamente homofóbico, ele tomou uma surra do pai e foi tirado da escola, em 2018 encontrei Carls novamente sem querer em uma festa e ele me disse que foi um cusão realemente e que não guardava magoas de mim e nunca me esqueceu, falei foi bom ver você mas tenho que ir pegar uma bebida, eu saí da festa e nunca mais o reencontrei.
Desculpa pelo tamanho acho que extrapolei mas sou muito chato com os detalhes e queria compartilhar aqui minha historia de trouxa/bixa má com vocês, beijos Luba se você ler isso, adoro você e se vier a manaus novamente dá um salve que te apresento os pontos turísticos <3
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2020.04.10 08:37 Pomiwl Ninguém Precisa Saber Capítulo 2

II. MUITA COISA MUDOU
A luz da lua banhava, junto das milhares de estrelas que a acompanhavam numa imensidão negra, a copa das árvores da Floresta de Mouneet. Deslizando morro abaixo, por entre árvores e arbustos, uma vasta clareira expandia-se ao centro do local. Diana observava o céu — aquele grande poço de tinta escura, manchado apenas por pintas pontilhadas, com o tom de branco tão puro quanto as asas de um anjo. Algumas nuvens cinzentas voavam acima de sua cabeça, acompanhadas de corujas e corvos que encontravam seu caminho de volta para casa. Era a hora dos predadores atacarem. E, mesmo assim, parecia mais bela do que nunca. A garota tornou a folhear a caderneta que segurava em suas mãos. Apoiava suas costas em uma das pedras que espalhavam-se pela clareira, com tamanhos que variavam com constância. Não era confortável, afinal; mas era o que a natureza a disponibilizara no momento. Estava lá, sozinha, sem rumo, sem caminho. Sem qualquer guia, apenas as estrelas que indicavam o caminho ao distante norte. Ajeitou seus olhos com o dedo indicador, os deslizando por seu nariz até que estivesse na posição adequada, cobrindo suas sobrancelhas ruivas como o seu cabelo, vermelho como ferrugem ou como a chama ardente da pequena lareira que crepitava a sua frente. Esticou as pernas por debaixo do cobertor que carregara de sua barraca até o local, para que ficasse mais próxima de sua única fonte de luz e para que pudesse ler suas anotações antigas. Reluzindo a capa de couro negra, as indicações “este diário pertence a Diana Evolwood”, em auto-relevo. Ela inclinava sua cabeça levemente para frente para que pudesse ler o título de cada dia que passara em sua vida, onde registrara tudo que havia acontecido. Às vezes, gostava de relembrar o tempo quando ainda tinha alguma companhia além de Khan, seu fiel gato, que no momento descansava dentro da barraca. Passava os olhos sobre o título de cada dia do diário. “O dia em que fomos acampar”, “o dia em que fomos ao parque de diversões” eram algumas das diversas memórias que vinham a sua cabeça, vívidas como se houvessem acontecido no dia anterior, apesar dos diversos meses que haviam passado desde que tudo aconteceu. Continuava folheando até que deparou-se com uma página em branco, apenas com um largo título no topo da página amarelada. “O dia em que tudo acabou” diziam as letras marcadas por uma tinta preta que manchou levemente o papel. Rapidamente, tornou-se insegura, como se tivesse sido emergida em pura tensão e horror repentinas, seguidos de alguns soluços breves. Por algum motivo, mesmo relembrando todos os dias daquela vazia página, não esperava a encontrar folheando aleatoriamente a caderneta em busca de algumas memórias agradáveis que a fizesse se sentir um pouco mais segura. O coração da jovem acelerou, e ainda mais lembranças vieram à tona. Dessa vez, não era aquele mesmo bom sentimento de nostalgia ou conforto. Era dor. Dor, angústia e desespero. Seus olhos arregalaram-se e, por mais que tentasse lutar contra aqueles pensamentos, não pôde evitar que algumas lágrimas se acumulassem por detrás de seus óculos. Diana encolheu-se, deixando a caderneta cair no chão, levantando uma poeira momentânea e provocando um curto ruído — o suficiente para despertar Khan, que levantou sua cabeça dentro da barraca. Ao menos, era o que sua silhueta através do tecido da tenda mostrava. Lembrou-se do conselho que recebera há algum tempo. “Deve lutar contra seus traumas, mesmo que pensar neles já seja doloroso.” Inspirando um pouco de ar pelo nariz e fungando, recolheu as lágrimas e ergueu novamente seu corpo contra a pedra. Este era o motivo pelo qual estava lá. Não poderia deixar que tudo fosse em vão. Olhou para o céu novamente, que não havia mudado nem por um instante. Qual era o propósito daquilo tudo? Uma garota de sua idade deveria estar na escola, como qualquer outra adolescente. A escuridão costumava a assustar, mas, após conviver com ela por tanto tempo, passou a se sentir segura emergida em um poço sem fundo, onde nada podia ver além de um abismo de incerteza. Este era seu futuro. “Um abismo de incerteza”. Recuperando seu fôlego, pegou seu diário e limpou sua capa de couro com a outra mão. Agora, era sua mão que estava coberta de poeira. Deixando apenas uma única lágrima cair sobre a folha, leu em voz alta um anexo preso à página — uma passagem de jornal, que exibia a imagem de um garoto que se parecia muito com a própria Diana. — “O desaparecimento de Max Evolwood”. Sua voz estava ainda mais rouca do que antes, e suas pálpebras quase caíram sobre os olhos do peso de várias noites mal dormidas que carregavam. Fitou a clareira onde se encontrava. Assegurou-se de que estavam completamente sozinhos. Catou o primeiro graveto que viu a sua frente e jogou sobre o fogo, fazendo com que resquícios de brasas passadas voassem ao alto por um instante e, em pouco tempo, irrompeu-se em chamas, bem como as demais lenhas. Ajoelhou-se na terra, guiando seu corpo pelos seus braços, que encontraram o zíper que fechava a entrada da barraca. Abriu-o, deixando a claridade da lareira invadir o local, que estava bem mais quente do que o lado de fora. Khan estava lá, encolhido, mas ela mal prestou atenção em seu amigo. Carregando seu cobertor que arrastava-se completamente pelo chão, acumulando certa quantidade de poeira e sujeira — fato com o qual ela não parecia se importar — em sua ponta. Levava a caderneta abaixo de seu braço, coberto por inteiro por uma blusa de manga comprida com um delicado tom de escarlate, roupa que já usava há dias desde que havia deixado Lyrion. O teto da barraca era baixo, fazendo com que ela não pudesse se estabelecer de forma tão confortável mas, definitivamente, era bem melhor do que dormir lá fora. O tecido da tenda era esverdeado, camuflando-se entre as cores da floresta. Quando deitava no chão, podia sentir a grama e as pedras espetando seu corpo, logo abaixo daquela fajuta camada de pano. Mas, mesmo assim, o sono da garota era tanto que ela simplesmente repousou a cabeça sobre um amontoado de roupas velhas — que improvisaram como sendo um travesseiro — e fechou seus olhos, mergulhando em um sono profundo.
As luzes da sirene policial brilhavam sobre a parede branca da sua sala, irrompendo pela larga janela de sua casa com força. Diana havia acabado de acordar — o poderoso som provocado pela viatura parecia não ter perturbado somente à ela, mas a todo o bairro, que se reuniu na frente de sua cara para saber o que houve. Mas, a primeira coisa que notou quando abriu seus olhos foi a cama de Max, seu irmão, estava completamente vazia — os lençóis bagunçados, bem como os travesseiros brancos. A partir daí, já tinha um mal pressentimento sobre o que veria a seguir. Seguiu com os pés descalços até o corredor, provocando um irritante ruído quando abriu a porta. Ainda não estava completamente dispersa, esfregando os olhos com o punho fechado e bocejando. Passou por duas portas — o banheiro e o quarto de seus pais. Caminhou em direção à sala. À medida que se aproximava, começou a escutar algumas palavras soltas, interrompidas por soluços vindos de outra pessoa — sua mãe. — Nós daremos o máximo para encontrarmos Max, mas não garantimos nada — comentou um homem desconhecido, vestido com trajes policiais. Se deparou com dois homens que nunca havia visto na vida sentados nas poltronas da sala de estar, enquanto seus pais estavam sentados no divã. Rachel cobria seu rosto, com os cotovelos apoiados sobre as coxas, deixando escorrer lágrimas por seu antebraço. Ed a consolava, passando a mão por seu pescoço, mas também aparentava estar extremamente preocupado. — Acho melhor darmos um tempo para vocês conversarem. Continuaremos com as perguntas depois — finalizou, suspirando ao perceber a presença de Diana que, apesar de não saber exatamente o que acontecia, tinha suas suspeitas. Rachel levantou o rosto. Seu rosto estava inchado e vermelho, com lágrimas queimando em sua face. Estava claramente fraca, os olhos profundos de uma noite mal dormida. Parecia estar prestes a desmaiar a qualquer instante. Diana nunca havia visto sua mãe desta forma. Ela ainda utilizava seu pijama, molhado por pequenos pontos mais escuros que destacavam-se sobre sua blusa branca. Estava trêmula. Ed parecia tentar disfarçar seu choro, piscando frequentemente para livrar-se de suas lágrimas. Diana nunca entendeu, já que a sua vida inteira foi ensinada que você sempre deve demonstrar seus sentimentos, e que guardar tudo para você te faz mal. De uma forma ou de outra, também estava claro o quão preocupado estava. — Ah, minha filha... Mal conseguiu completar sua frase. O piso da sala, gelado, cobria o corpo da garota como um balde de água fria derramado sobre seus cabelos castanhos. Em pouco tempo, já soube o que havia acontecido. Sentiu como se seu coração parasse e saltasse pela sua boca, talvez em busca de um lugar distante onde não precisasse encarar o que estava por vir. E aquelas mesmas palavras ressoaram à sua cabeça, como um eco distante vindo do fundo dos seus pensamentos, claras como um trauma que carregava, e obscuras como o medo e a desconfiança que sentiu naquele mesmo instante, quando viu a boca de sua mãe repetir lentamente, tremendo os lábios: — Max está desaparecido. Em seguida, desabou-se sobre os braços do marido, que a reconfortou. Rachel, depois de gritar sem êxito por ter sua voz abafada por suas próprias mãos, levantou seu rosto contra a garota novamente. Porém, não era tristeza que expressava. Era raiva. Suas sobrancelhas franzidas e seus dentes cerravam denunciavam suas emoções. — Como pôde deixar que isso acontecesse, Diana? Max era seu irmão. Como não pôde o proteger? — disse ela, a ponto de berrar a qualquer instante. Seu rosto estava vermelho como um tomate. — Diana, como é imprestável. Seu próprio irmão... como pôde deixar que isso acontecesse? Você é a culpada aqui. Você falhou. — completou seu pai, que também a encarava subitamente, com os olhos sedentos. — M-Mas, eu... — ela estava confusa. O que estava acontecendo? Como poderia ser sua culpa? Sua mente carregou-se com um turbilhão de emoções em instantes. Ela havia... falhado? — Sem “mas”, garotinha. Você já tem idade o suficiente para ter consciência sobre seus atos. Você foi inútil. Não conseguiu fazer nada para salvá-lo. Max confiava em você, e agora? Está provavelmente morto. Você sabe que está errada, não ouse negar sua culpa. — se intrometeu o policial, tendo uma estranha energia, como se ele já a conhecesse. Levou a mão direita ao olho direito. Uma lágrima escorria pela sua face. Elevou sua mão esquerda ao olho esquerdo. Uma gota de sangue escarlate vazava de sua bochecha. Era como se uma entidade mexesse com a cabeça de todos ao mesmo tempo. Levantaram-se e foram-se em sua direção, esbanjando a mesma cara séria e de olhos arregalados, como num filme de terror. Se aproximavam lentamente, repetindo críticas ao comportamento de Diana em um tom aterrorizante, como se fossem a atacar. A cada passo que davam em sua direção, a encurralando contra a parede, o ritmo de seu coração também aumentava. Seus olhos demoravam a abrir novamente quando piscava. Não havia caminho. De repente, sentiu algo como um arranhão em sua face, seguido por um forte miado em seu ouvido. Piscou, mas não acordara dentro da sala de sua casa. Ainda estava dentro da barraca, e Khan cutucava seu rosto para que acordasse. Ela resmungou algo sobre ainda estar dormindo, mas ainda assim levantou-se.
Muita coisa havia mudado desde que saíram de Lyrion após a declaração da situação de extremo risco que sofria. Os feixes da luz do sol atravessavam o tecido da barraca. Sentiu o calor irradiar seu rosto em instantes. Seus olhos arderam com a brusca diferença de luminosidade. Catou sua caderneta antes de sair e começou a rabiscar o papel, formando alguns garranchos que, se apertasse bem os olhos, seriam legíveis. Sentiu o cheiro da tinta fresca da caneta quando começou a escrever. “Olá. Faz um tempo desde que não nos falamos, não é? Eu sei que eu meio que te abandonei, mas é que as coisas estiveram me ocupando bastante desde que a gente veio pra cá. Vou tentar te atualizar de tudo que rolou desde então. Depois daquela tarde em que nós colocamos o rádio para funcionar pela primeira vez, nós começamos a arrumar umas malas (aparentemente, não coloquei roupas o suficiente, já que to usando a mesma roupa há alguns dias). No dia seguinte, nós fomos em uma loja no centro da cidade que costumava vender equipamentos para acampar. Espero que me perdoe, mãe, mas nós meio que levamos algumas coisas sem pagar. Era uma situação de vida ou morte, tá legal? Um azar que eu não peguei uma daquelas barracas super chiques com espaço para oito pessoas. A essa altura, a que pegamos já tá toda rasgada. Triste. Nós decidimos vir para a Floresta de Mouneet, onde a gente costumava vir para passar alguns finais de semana. Era legal. Estamos estabelecidos nessa clareira há alguns dias. O alimento ainda tá meio longe de acabar, mas nós já estamos providenciando mais. Lembro de algumas frutinhas comestíveis que nós provávamos quando vínhamos acampar. Bons momentos.” A partir daí, sua caneta começou a falhar. Pegou a caderneta e a arremessou de volta para dentro da barraca. Estava mal-humorada. Calçou suas botas jogadas ao canto. Seu couro estava quase mofado e seu interior estava úmido — mas era melhor do que nada. Estava partindo em direção a um lago próximo da clareira, onde poderiam fazer sua higiene pessoal. Não negava que era uma situação completamente diferente de qualquer outra que já esteve. Era garota criada em apartamento, vida perfeita, família feliz. Mas estava disposta a fazer qualquer coisa se seu irmão dependesse de si. E era nessa situação em se encontrava. Então, enquanto não encontrasse seu irmão... Continuaria escovando seus dentes com a água do lago. Khan a seguiu, adentrando o mato. Suas patas estavam cobertas por uma mistura de lama com folhas secas. Era nojento. Cada vez mais, se aproximavam da grande concentração de água. O ar que respiravam era diferente do da cidade — era puro, leve, como se fosse libertador. Além das árvores, já podia ver o grande espelho d’água refletindo a margem do lago. Um milagre da natureza, de beleza indescritível. Uma família de patos cambaleavam até a borda, preparando-se para molharem suas penas. A mãe ia na frente, enquanto os sete pequenininhos oscilavam seus passos em uma fila. Era de longe a coisa mais bonita que já havia presenciado. Estampava essa emoção com sua boca aberta, mas ainda mostrando os dentes, sorrindo. Porém, algo lhe chamou a atenção. Algo se mexia por detrás dos arbustos, da onde saíam guinchos e choros. O barulho a causou comoção, que procurou saber da onde vinha. — Khan! Tá ouvindo isso? — ela deu um breve silêncio para que pudesse ouvir melhor. O som do vento chacoalhando os galhos das árvores a trouxe paz. O choro se repetiu. — Vamos! O gato pulou em meio ao amontoado de plantas e raízes, abrindo um rombo entre as folhas com suas garras. Diana impressionou-se com sua capacidade. Em meio às folhas caídas, surgiu o oitavo patinho perdido, que continuou a chorar. Algumas gotas de chuva começaram a cair contra o chão, levantando a lama que repousava, endurecida, sob seus pés. Seu coração se amoleceu ao ver que tinha sua pata presa à uma das raízes da planta, que parecia o machucar com força a cada movimento que fazia. Ele a encarava como se implorasse por socorro, mas ainda assustado com a presença dos dois. As gotas de água começaram a se tornar cada vez mais frequentes. — Ah, coitadinho... — ela acariciou sua cabeça com o dedo indicador, sentindo as penas amarelas como a gema do ovo em suas mãos. Seu bico achatado e rosado abria uma hora ou outra para continuar guinchando de dor. — calma, calma. Khan, você não pode cortar a raiz com sua garra. Vai acabar machucando ele. Vem, fica aqui bem atrás de mim. Eu tenho algo melhor para ajudá-lo. Do seu bolso de trás, catou a caneta que esquecera de jogar de volta à barraca quando começou a falhar. Com cuidado, a encravou entre a raiz e a patinha do animal, e começou a puxá-la para trás, lentamente rompendo as fibras. Finalmente, a raiz se partiu no meio, lançando uma seiva amarelada para toda a parte e quebrando o acrílico da caneta. Agora sim precisaria de uma nova. Sua camisa estava completamente ensopada e pesada, enquanto os pelos de Khan estavam caídos com a água. Ela catou o filhote em seus braços, o confortando e envolvendo seu machucado com uma parte de sua blusa para estancar um pequeno sangramento que se surgiu. Tomando cuidado com seus passos, o carregou até perto da sua mãe, que parecia mesmo procurar por algo enquanto os filhotes de refrescavam na água. Ela grasnou e chorou, até que Diana adentrou a clareira que cercava o lago, com Khan colado à sua perna. Um forte vento acompanhou as gotas de chuva, que começaram a atingi-los quase que na horizontal. Pelo amontoado de árvores e arbustos, pode ver além da clareira sua barraca, que chacoalhava fortemente. O pequeno pato alegrou-se em ver sua mãe. Com seu pequeno conhecimento sobre a lógica animal, não se aproximou da mãe, pois poderia a encarar como uma ameaça; apenas o deixou ao chão e, derrapando por não conseguir utilizar uma de suas pernas, voltou para sua família. — Sabe, Khan... — ela finalmente desviou o olhar do grupo de animais, que continuavam a se banhar no lago, felizes — acho que eu gosto de ajudar as pessoas. Nesse pequeno tempo... eu não pensei em Max, ou em meus pais em momento algum. Eu costumava só me preocupar com isso. Eu até sonhei com eles. Mas, eu não me sinto preocupada, ao mesmo tempo que eu acho que deveria estar, e... O companheiro olhava diretamente em seus olhos. Ele, geralmente, não gostava de estar sujo, mas não parecia se incomodar nem um pouco naquele momento. — Acho que é isso. — O olhar de Khan demonstrava sua confusão, mas ao mesmo tempo uma leve curiosidade. — É isso que eu quero fazer. Ajudar as pessoas. Ele abriu um longo sorriso e ronronou. — Mas... é hora de voltar à realidade. Olhando em volta, ela podia ver um pedaço danificado da barraca, carregado e destruída pela chuva. Ela se aproximou e segurou o grande pedaço de lona rasgada e suja de lama, presa a um grande tronco de árvore, cortado pela metade. O tecido era azul, e se desfazia quando Diana esfregava seus dedos entre o pano. Agarrado a ele, sua caderneta, completamente ensopada e suja. Pelo menos, isso conseguiu ser salvo. — Acho que teremos de achar outro lugar para dormir... Ela continuava examinando os pedaços arrancados da barraca, enquanto o pequeno gato olhava à sua volta. Tentou livrar-se com sua pata de algumas folhas que grudaram-se ao seu corpo com a aderência da lama já seca, que permanecia endurecendo seu pelo, cinza como as nuvens que pairavam o céu, e que ainda descarregavam uma massiva quantidade de água. Caminhou ao redor, desviando de pequenas plantas que nasciam por entre a terra, constantemente recebendo umidade daquele clima extremamente chuvoso. Subiu em uma grande pedra, que se alongava até as proximidades do lago. Já em sua ponta dura e afiada, Khan avistou, do outro lado do grande espelho d’água, uma pequena casa de madeira, iluminada pelo sol que ainda escalava dificilmente o céu, erguendo seu brilho em direção ao meio-dia. Parecia um lugar caloroso na percepção limitada do gato. Diana, acompanhando o amigo com o olhar, enxergou também a casa, onde poderiam pedir abrigo. Ela se sentou. Suas pernas ainda estavam cansadas e em constante dor. Seu coração permanecia acelerado. A menina observou o chão, onde algumas flores pareciam sofrer as reações do fim do outono e a chegada do inverno. Era uma rosa — um pouco desbotada, mas era como um símbolo de resistência. Ela arrancou a flor da terra, tomando cuidado para não se furar com os espinhos — ela deslizou para fora da lama lubrificada sem insistência. Ergueu suas pétalas. Seu rosto ficou lívido quando percebeu um pequeno detalhe, que a fez largar a rosa no chão — ela rapidamente se desfez em poeira. O caule estava cinzento. — Khan... — ela se afastou o mais rápido que pôde da flor que, no momento que tocou o chão, fez com que a pouca grama à sua volta também se tornasse cinzenta e podre. O forte cheiro de estrume também incomodou o olfato de Diana. — precisamos ir... rápido! O felino saltou do topo da grande pedra até o chão, caindo de pé. Parecia confuso, mas não hesitava em seguir sua fiel companheira. Deixou todos os seus pertences para trás, conseguindo levar consigo apenas sua caderneta, em que registrava cada dia que passava. Suas pegadas foram deixadas pela última vez naquela lama, que nunca mais seria tocada por uma alma viva. Estava trêmula, assustada. Em um segundo, todos os seus sentimentos de preocupação e ansiedade voltaram ao seu corpo, um por um. A assassina havia os alcançado.
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2020.01.04 06:26 naoko-watanabi Nunca mais irei vê-la

Nunca havia viajado de avião na vida, até que aos meus 22 anos esse momento chegou e ainda fui sozinho. Então, lá estava eu um pouco ansioso sentado no meu lugar marcado, o vôo já estava ficando cheio, até que surge uma certa garota, eu a observei por um instante mas logo voltei a minha atenção para fora da janela (sim, meu primeiro vôo foi na janela rs). Quando volto minha atenção para o corredor, a garota estava se aproximando, havia um lugar livre ao meu lado, e inesperadamente, aquele era o lugar dela. Quando ela se sentou, minha timidez entrou em cena como sempre, evitei olhar pra ela para que não se sentisse desconfortável comigo logo no primeiro momento. O avião se preparava para decolar, pego meu celular para filmar esse momento. Já no alto, se maravilhando através da janela do avião com os milhares de pontos de luzes que iluminam a cidade durante a noite, aquela garota fala comigo; "Você também filma? Eu também costumo fazer isso". Eu disse que era a primeira vez que estava viajando de avião e ela ficou surpresa com isso. Após isso começamos a conversar.
Ela disse que havia ido passar as férias com alguns familiares naquela cidade na qual ainda sobrevoávamos. Conversamos sobre um monte de coisas; o que fazíamos, qual curso prestávamos nas faculdades, pretensões, curiosidades de nossas vidas... Ela era muito simpática e contagiante, talvez porquê estivesse realmente interessada em conversar comigo (o que raramente acontece quando se trata de garotas rs). Em certo momento, eu olhei pela janela e vi que o céu estava incrivelmente cheio de tantos pontos brilhantes de estrelas, nunca o tinha visto assim pessoalmente. Eu disse para ela e apontei: "olha só...". Ela se esticou para observar melhor; "É lindo" disse ela. Seu rosto ficou próximo ao meu por uns 10 segundos, nunca uma pessoa desconhecida ficou tão próxima a mim por tanto tempo rs.
Nesse momento deu para ver um pouco melhor seu rosto, já que no interior estava escuro (e talvez por isso ela se interessou em conversar comigo, já que não dava pra ver direito minha cara feia rs), e apesar de tê-lo visto antes no corredor do avião, já não lembrava, pois meu cérebro já havia descartado a lembrança de tal fisionomia achando que não seria necessário.
Foram quase 2 horas de vôo até que chegamos na cidade onde meu vôo iria fazer escala. Já para ela era seu destino final. Ela se despediu. Eu apenas a observei indo lentamente em direção a saída, me remoendo por esse tempo todo não ter tido coragem de perguntar o seu nome ou ter pedido o seu número. Tentei procurá-la por aí através das coisas que ela havia me dito, enquanto a memória do seu rosto ainda era vívida. Hoje, quando lembro dessa viagem, tento procurar no fundo das minhas memórias a sua imagem, mas não encontro nada. Então para mim, hoje ela é apenas a "garota do avião". As vezes me pergunto se ela lembra mim como o "cara do avião" (sei, é tosco rs). Nunca mais ire vê-la, nem ao menos nas minhas lembranças.
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2019.11.30 09:44 MarshKun Sobre óculos e vontade de ajudar os outros.

Depois de quase um ano consegui um emprego numa loja de shopping, e assim, é bom. Gosto de la. Fiz alguns amigos acho. Mas nao quero. Não quero estar la, nao quero trabalhar la. Eu nao queria nem entrar na loja pra falar a verdade, eu fiz de tudo pra me foder na entrevista mas ainda assim por motivos que nao entendo, entrei. Talvez minha chefe tenha visto algo em mim.
Eu entrei, e como ela deve ter previsto, to vendendo MUITO bem. Muito mesmo. Não sabia que eu levava jeito pra vendedor e isso foi bom pra mim. Ontem fui o melhor vendedor da loja, sem minha chefe precisar me treinar nada. Mas eu vi como ela é através dos meus colegas. Ela descobre seus fracos e te ataca justamente neles.
Me chamem de fraco mas não quero esse tipo de pessoa comigo. Não quero viver só de comissão com horários MALUCOS. Não quero uma chefe que nem na cara me olha. Não quero passar fome o dia todo e mijar sangue por que nao consegui ir no banheiro o dia todo nem tomar água. Não quero trabalhar das 8 as 22 depois de ter trabalhado das 12 as 22 ontem (sendo que meu horario é 12/20 e eu NAO ESTOU GANHANDO COMISSAO NOS 3 PRIMEIROS DIAS, e o "salario" é só comissão) Não quero ter crise de ansiedade no ônibus e nao conseguir dormir por nao parar de pensar na loja.
Essa porra é abusiva velho. Eu vendi uns 4 mil ontem sozinho e nao vou ganhar nada sobre isso, nada. Nem pra deixar eu dormir mais, ela simplesmente nao liga. Assim meu rendimento vai cair e feio, ela tem que me deixar ao menos descansar, tomar uma água, comer, dormir... o básico!!! Tem dois dias que nao vejo minha mãe e ela dorme no quarto ao lado, eu e meu pai falamos cerca de 5 palavras nos últimos dois dias (o que se você ver minha historia de posts seria ate bom, mas nao é) e eu to quebrado, de verdade. To postando isso agora por que nao consegui dormir nada, a cabeça a mil, eu ainda em "modo de ataque" pensando em cliente, pensando em xingar minha chefe em sumir em qualquer coisa menos em dormir.
Eu quero trabalhar com gente. Hoje eu decidi que vou ajudar as pessoas, e assim que sair desse trabalho, é um contrato de 45 dias, eu vou trabalhar na ONG la na frente de casa que me ofereceu um emprego em fevereiro e ta esperando eu sair da loja só pra eu entrar.
Mesmo que eu nao ganhe nada mesmo que nao consiga comer direito... eu vou ajudar as pessoas.
Eu só quero fazer algo de bom nesse mundo, com gente que se importe com os outros tanto quanto eu. Por que de resto vou fazer meu melhor. Não quero sair de la parecendo que nao me esforcei. Por mais que a vontade seja de simplesmente desaparecer de la e fingir que foi um delírio coletivo. Dois dias dessa merda e já to enlouquecido, imagina mais 43...
Edit: só fico colocando mais e mais coisa nesse post...
EDIT 2: FUI VITIMA DE UM GOLPE. Minha namorada pesquisou e é super errado ser contratado do jeito que eu fui, eu preciso receber salario minimo e hora extra. O maximo que posso trabalhar é 10 horas e nao 14 e mesmo assim recebendo hora extra. A loja pela qual eu trabalho nao me contratou, foi uma empresa de rh que nao citarei nomes, mas olha... nao caiam nessa! Procurem a loja que você trabalha no love mondays antes! Eu vou me demitir segunda mesmo!
EDIT 3 LEIA ESSE EDIT: Eu fui contratado em regime de freela e nao de temporário, ou seja, as leis de funcionário temporário nao funcionam nessa situação. Eles poderiam ter sido mais claros pra mim sobre o caráter do contrato, mas nao tem nada ilegal aqui.
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2019.10.08 05:10 lucius1309 CHUTANDO PEDRINHAS E ESPERANDO O DIA SEGUINTE

A história que relato hoje é 100% real, e busco aqui não fazer uma literatura como costumo fazer, mas me livrar de um sentimento de culpa que carrego por várias coisas que fiz (e o que escreverei aqui é uma delas). Não almejo mais escrever bem ou ter um bom material literário. Já houve uma época em que minha principal preocupação era divertir o leitor, enquanto, é claro, eu me livrava do meu sofrimento. Hoje tenho duas certezas: o leitor é sempre um insaciável, e talvez nunca se divirta de fato e eu não vou me livrar do meu sofrimento, possivelmente nunca. Então, sendo assim, convivo com minhas dores e mágoas e relato através de crônicas exatamente o que sinto, sem exageros ou diminuições.
Coloco o som alto mesmo sendo quase meia noite. Aposto que ninguém dá a mínima.
Ninguém dá a mínima pra nada. Todos querem que tudo se foda. Essa é a verdade.
Se verdades te machucam, recomendo parar por aqui. O que se segue é um relato do sofrimento de um homem viciado em drogas.
Enfim.
O ano era 2013, eu estava trancado no meu quarto com duas garrafas de vodka Natasha, que era a minha preferida. Coloquei pra tocar um show do Frank Sinatra que tinha no YouTube (hoje quase todos os shows completos dele saíram do ar, infelizmente. Malditos direitos autorais), e fiquei ali, sentado no chão do quarto, bebendo, com as costas encostadas na cama e assistindo ao show. Quando fazia isso, tudo parecia pacífico e muito menos doloroso e miserável.
Por volta da uma hora da manhã, achei 20 reais numa gaveta da minha cômoda. Eu havia começado a usar drogas a pouco tempo, mais especificamente cocaína, e já com umas doses de vodka na mente, bateu uma vontade da porra de dar uns tecos. Mas pensei bem e falei pra mim mesmo:
Não deu 10 minutos e eu pensei em mandar tudo pra casa do caralho e ir lá. Abri a janela pra constatar se estava chovendo, devido ao barulho constante de gotas no telhado. Realmente estava chovendo muito, e eu repeti pra mim mesmo:
Lutei contra a vontade de ir, mas acabei indo. Bermuda, chinelos e uma camiseta velha. Chuva forte. E lá, só um mano com um guarda chuva esperando o próximo trouxa, que era eu no caso. Saquei a nota de 20 e dei na mão dele.
Ele me deu os dois pacotinhos de cocaína e eu voltei voando pra casa. Era terça pra quarta, as ruas estavam vazias de madrugada. Somente eu, um homem perdido na chuva. Cheguei encharcado, sujo e envergonhado. Eu realmente tinha perdido o controle. Ali eu percebi que as coisas tinham desmoronado. Me enxuguei e, pela primeira vez em muito tempo, lágrimas verteram pelo meu rosto. Eu era um lixo. Um inútil. Um fraco. Um cara que não sabia controlar suas vontades e compulsões.
Um fraco.
De qualquer forma, cheirei aquela farinha toda sozinho, não liguei pra ninguém e nem guardei pra depois. Fui tomando a vodka e dando tiros. Nessa hora tocava Tool, o disco 10,000 Days, que até hoje, quando escuto, lembro dessa cena como se fosse hoje. Eram meus últimos 20 reais. Eu não sabia o que fazer a partir dali. Não há nada de se orgulhar dessa história. Ela tem alguns anos, mas eu fico muito triste de pensar nela. Ela mostra exatamente o tipo de ser humano que sou: covarde.
Por mais que hoje eu não esteja me afundando em vodka ou farinha, continuo fudido. Quero dizer, as pessoas que estão a meu redor e me vêem dando risada e ouvindo Blind Melon, de "bem com a vida", sorrindo e tentando fazer os outros sorrirem, pagando meus impostos e ajudando outras pessoas, abraçando minha mãe pra ver se ela sai da depressão, acariciando o gato e pegando ele no colo, arrastando chinelos até a feira pra comer pastel, contando piadas imbecis, as pessoas me vêem fazendo isso tudo, mas a maioria não percebe que existe uma tristeza enorme dentro de mim, uma tristeza bem lá no fundo, guardadinha, que mesmo com quase um ano de terapia e quase três de sobriedade ainda não saiu. Continua lá. Ando pelas ruas a passos leves e olhando pra baixo. Esperando essa tristeza passar.
Ela está dentro do meu coração. E eu a escondo o máximo que consigo. Não quero que percebam. Talvez nunca me viram chorar. Talvez nunca vejam. Nenhuma lágrima escorre há muito tempo. É só aquele sentimento chato e constante.
Enfim.
Acho que todos estamos fudidos, e não é nenhuma competição vendo qual de nós está MAIS fudido. Busco através dos meus relatos aliviar uma dor que nunca vai acabar de fato. Quase não tenho mais tesão pra coisa, mal escrevi nos últimos anos, não vejo mais motivos pra isso. Tenho quatro livros cheio de palavras, frases e capítulos, lá já foi dito tudo que devia ser dito. O que faço aqui é só relembrar do passado e me sentir mal comigo mesmo. Alimentar a minha tristeza enquanto a deixo escondida para que ninguém veja. E bom, é mais ou menos assim que sigo. Chutando pedrinhas e esperando o dia seguinte.
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2019.07.02 01:07 QuaseUmTexugo Eu genuinamente não sei como seguir em frente

Boa noite, internet. Venho através desta desabafar. Esse é o objetivo do subreddit, não é mesmo?

Há alguns poucos meses o meu relacionamento acabou - não por escolha minha. Eu namorei essa moça maravilhosa durante muitos anos - quase uma década da minha vida! - e fui muito feliz ao lado dela. Eu posso afirmar que amei profundamente ela e queria dizer que não me arrependo de nada do que eu fiz, mas todo ser humano erra. Faz parte. Foram anos perfeitos? Não. A gente teve brigas e atritos. Mas eu posso dizer que tive do lado de alguém e que o amor que a gente compartilhava era algo muito profundo e sublime. Mas no fim das contas acabou. Não acho que o término tenha sido por nada que eu fiz, apesar de ter tentado me culpar no começo: ela disse que não me amava mais, apesar de gostar muito de mim. Tá tudo bem.

O que mais me dói foram as circunstâncias do término. A gente estava sem se ver há meses pois ela estava fora do país em um intercâmbio, o qual eu burramente apoiei. Eu fui visitá-la no fim do ano e antes de ir eu hesitei - a gente não tava legal. Eu esperava passar semanas com uma pessoa que não me amava mais e ao chegar no aeroporto, dois amigos se recepcionaram. Apesar disso, 24h depois a gente estava ótimo. Vivi quase um mês viajando com ela e eu tenho certeza que o amor partia dos dois.

No entanto, meses depois a gente teve desintendimentos. Ela estava distante e eu também. Não sei se eu poderia ter feito algo a mais. Eu senti que o término ia vir e veio. Eu tentei conversar e utilizar a distância como argumento - a gente passou pelo mesmo em dezembro! - mesmo assim ela não quis conversa. Cansou. Desistiu. Seguiu em frente, me bloqueou onde pode, cortou contato e agora vive a vida dela. Direito dela, é claro. Ela seguiu em frente. A essa altura do campeonato, duvido que ela pense em mim. Eu prefiro assim, pra ser sincero: eu espero muito que ela não tenha sofrido.

Eu no entanto me sinto jogado no lixo. Nunca tive a melhor auto-estima do planeta e perder uma pessoa tão importante despedaçou algo fundamental dentro de mim. Há meses que minha vida resume-se a chorar quando ninguém está vendo e pensar no que poderia ter sido. Recentemente eu venho melhorando: saio com amigos, conheço gente nova, estou desenvolvendo uma cara-de-pau que eu não sabia que tinha... mas ainda me sinto com um buraco dentro do peito que eu tenho a impressão de que nunca vai fechar.

E tá tudo bem. A vida segue em frente. O sol ainda vai brilhar na cabeça de todo mundo amanhã independente de como eu me sinto. Eu sei que por mais que eu queira, o mundo não pode parar para eu sofrer. Eu ainda tenho que trabalhar. Ainda tenho que viver. Ser filho, irmão, amigo, funcionário, membro da sociedade. Eu sei que as pessoas próximo de mim tem os problemas delas e elas não tem tempo nem energia pra me escutar. Eu vou ter que superar isso sozinho, de alguma forma, em algum momento. Mas tá muito díficil. E é por isso que eu vim desabafar. Para chorar um pouco enquanto eu escrevo e sentir que tem alguém para compartilhar a dor que eu sinto na alma, mesmo que ninguém leia.

Ela vai voltar pro país em breve. Eu sei que ela não vai me procurar. Eu sei que ela não vai me ligar, ou me dar um oi. E mesmo que ela fosse fazer isso, do que adianta? Eu não tenho como manter amizade. Mesmo se fosse por um milagre tentar de novo, eu sei que ela só vai me machucar. Tem algo dentro de mim que tá fundamentalmente quebrado. Eu não sei se tem como trocar por um novo.

Eu posso não ser mais o namorado dela. Ela pode ter todos os defeitos que ela tem, e olha que não são poucos. Ela não é perfeita. Ela não é uma beldade extrema ou a única pessoa que pode me fazer feliz, mas ela é ela. E assim como eu gostava dela há quase uma década atrás e comecei a namorar com ela, eu ainda gosto dela. Eu nunca vou ver ela e não ver minha companheira, minha parceira, a pessoa com quem eu dividi incontáveis horas da minha vida, experiências e memórias que eu nunca vou conseguir apagar da cabeça. Eu posso parar de chorar um dia, mas eu nunca vou deixar de sentir por ela um carinho incrível. Eu nunca vou olhar pra ela e ver só uma pessoa aleatória.

Eu não sei como seguir em frente. Eu não sei como eu vou fazer para ter uma boa noite de sono de novo, para me concentrar no trabalho, curtir a vida. Eu não consigo ver outras mulheres de uma forma romântica por mais que eu tente. Eu não consigo deixar de sentir que um pedaço de mim foi embora. Eu quero, eu quero muito. Eu quero um dia acordar e não me sentir mal. Passar um dia todo sem pensar nela. Parar de ter uma semente de esperança dentro de mim e aceitar que o que eu queria pro futuro está morto, enterrado e com atestado de óbito escrito e assinado pelo legista.

Tá muito díficil, meu povo. Se você tem uma pessoa que você ama na vida, por favor cuidem dela. Às vezes a gente fica entediado, chateado e a vida deixa as coisas entrarem na mesmice. Não cometam este erro. Vivam, amem, sejam felizes como vocês puderem. Se coloquem em primeiro lugar e pelo amor da divindade que vocês escolherem amem, mas amem muito.

Tem gente que queria e não consegue mais.
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2019.03.15 23:17 CabocloSeteFlechas O maior responsável pela prisão do psy foi ele mesmo

O maior responsável pela prisão do PSY sempre foi ele mesmo. Não pense que me sinto feliz em dizer isso, confrade. Digo com pesar.
O Psy tinha "perdido a mão" durante esses anos todos. O primeiro erro foi o attwhorismo. Ele realmente não escondia mais nada. Estava tudo lá, as claras no chan. E ele realmente acreditava na impunidade. O famoso jargão "Muh, não vai dar em nada!", creditado ao Dr. Futuca tempos depois.
Na real, vocês confundem as coisas:
Os feds foram atrás do Psy com coisas relacionadas ao ORKUT, não tinha absolutamente nada haver com as ameaças do Goec ou com coisas recentes do dogola. O que fodeu o PSY foi o ex-chefe, ter entregue tudo o que ele fazia no PC. Saíram dali todos os indícios e provas.
Foi ai que ele se fodeu. Cade a OPSEC? Mexendo no pc da empresa e não dando uma foda sequer. Na real a rede devia ser monitorada e o pessoal do TI devia ter feito a caveira dele muito antes. Somente entregaram tudo aos feds.
Outro fator foi ter entregue a OPSEC do chan ao Travesti, o que vim a descorir tempos depois através do Kyo, era que o travesti não manjava abosulutamente NADA de opsec e segurança da informação.
Ou seja, todo esse caso, toda essa história, foram sucessões de irresponsabilidades:
Dar ADM a um Travesti completamente incluso, que de quebra, ao invés de orientar e ajudar, fazia de tudo para jogar o cara no limbo e até mesmo, gerar intrigas entre os membros internos.
Ter opsec zero.
Fazer do chan seu diário pessoal.
Dentre outras merdas. O mais inocente nessa história é o GOEC. O Goec só errou quando colocou a cabeça do Kyo em paranóia, que gerou o assasinato. Ninguém acreditava que ele teria coragem de fazer aquilo. Eu mesmo falei com o Kyo 4 dias antes dele fazer a merda. Eu teria feito de tudo para impedir. Fora isso, eu até entendo o Goec, pois também sou acostumado a fazer esse tipo de coisa.
Sanctvs 19/02/19 (Tue) 17:03:20 No.4080
O que fodeu o PSY foi o ex-chefe, ter entregue tudo o que ele fazia no PC. Saíram dali todos os indícios e provas.
Isso pesou demais, mas tem o fato de que logo depois da "entrevista" com o pessoal do Globo Repórter ele veio no antigo chan soltar a franga e falar até pelo cú, aqueles macacos da Globo estavam lurkando no antigo dogola todo santo santo dia, isso também foi crucial para a condenação.
Outra coisa é que ele falava no chan na cara limpa citando fatos da vida real e postando dezenas de fotos dele mesmo toda semana, ele simplesmente dizia que viajou para X local, que foi em Y evento, que trabalha em Z empresa.
Essas 2 coisas acima somadas com o ex-chefe do Psytoré ter entregado os PCs, foram o que foderam ele de vez.
Sanctvs 20/02/19 (Wed) 13:50:34 No.4127 PSY esqueceu da prórpria regra
Você nunca é preso pelas coisas que voce faz
Você é preso pelos erros que voce comete
O PSY cometeu 2 erros elementares:
1-) Registrar o dominio do dogola no cartao de credito, depois de anos pagando em BTC.
2-) Usar o computador do trabalho descriptografado para acessar, postar, e (gasp) MODERAR o dogola.
O GOEC chamou sim muita atencao indesejável, mas a idéia de atacar o Pedolao com as impressoras foi do Psy. O ÚNICO motivo que o Psy está preso foi pelo ataque das impressoras, mas como isso é impossível provar que foi ele forjaram outras acusaçoes.
Sanctvs 21/02/19 (Thu) 02:07:01 No.4189 Vocês possuem uma memória curta.
No Firechan, quando Gouec estava banido, ele mesmo postou que estava alucinando por aí usando o nome do Psy. Fazendo ameaças a torto e a direito.
Também o W. Barroso avisou que estava comprando drogas e ameaçando universidades no nome do psy.
Então, pra mim, ambos (se não forem a mesma pessoa) possuem uns 50% de culpa por Psy ter se fodido. Os outros 50% de culpa foi ele gerando provas contra si mesmo o tempo todo.
Mas o fato é que a PF precisa de um motivo pra ir pra sua casa e confiscar teus equipamentos. Pra isso criaram a "lei lola", pois queriam pegar qualquer um "dogoleiro" falando coisas pejorativas na rede social, para então (por milagre) descobrir todos os podres do sujeito. A lei lola não precisou ser usada, porque andaram mandando ameaças para universidades no nome do Psy, era a deixa que precisavam pra ir atrás dele.
O objetivo é prender, não precisa ser pelo exato crime cometido. Então arranjaram aquelas coisas do Orkut pra ferrar ele e garantir o inquérito.
Sobre o psy, pra mim o pior foi ele obrigar a userbase a usar o IP real, sendo visto pelo escroto do Goec e o cagueta do Tecnomage (esse era o motivo pelo qual eu não postava mais lá, inclusive não postei nada pra tentar evitar que o Kyo se matasse - havia meses que eu não postava e não quebrei a promessa que tinha feito a mim mesmo). Mas ele não entregou os logs nem os IPs da userbase, então este se redimiu.
Goec é visivelmente desequilibrado, vivia provocando a userbase pra que alguém xingasse ele e isso desse a deixa pra foder mais um aleatório (afinal ele sabia o IP de todo mundo). É um tremendo de um filho da puta, espero que ele esteja morto e queimando no quinto dos infernos. Caso ele esteja vivo, por mim ele tem mais é que ir se foder.
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2019.03.13 23:29 atirador_de_suzano O maior responsável pela prisão do psy foi ele mesmo

O maior responsável pela prisão do PSY sempre foi ele mesmo. Não pense que me sinto feliz em dizer isso, confrade. Digo com pesar.
O Psy tinha "perdido a mão" durante esses anos todos. O primeiro erro foi o attwhorismo. Ele realmente não escondia mais nada. Estava tudo lá, as claras no chan. E ele realmente acreditava na impunidade. O famoso jargão "Muh, não vai dar em nada!", creditado ao Dr. Futuca tempos depois.
Na real, vocês confundem as coisas:
Os feds foram atrás do Psy com coisas relacionadas ao ORKUT, não tinha absolutamente nada haver com as ameaças do Goec ou com coisas recentes do dogola. O que fodeu o PSY foi o ex-chefe, ter entregue tudo o que ele fazia no PC. Saíram dali todos os indícios e provas.
Foi ai que ele se fodeu. Cade a OPSEC? Mexendo no pc da empresa e não dando uma foda sequer. Na real a rede devia ser monitorada e o pessoal do TI devia ter feito a caveira dele muito antes. Somente entregaram tudo aos feds.
Outro fator foi ter entregue a OPSEC do chan ao Travesti, o que vim a descorir tempos depois através do Kyo, era que o travesti não manjava abosulutamente NADA de opsec e segurança da informação.
Ou seja, todo esse caso, toda essa história, foram sucessões de irresponsabilidades:
Dentre outras merdas. O mais inocente nessa história é o GOEC. O Goec só errou quando colocou a cabeça do Kyo em paranóia, que gerou o assasinato. Ninguém acreditava que ele teria coragem de fazer aquilo. Eu mesmo falei com o Kyo 4 dias antes dele fazer a merda. Eu teria feito de tudo para impedir. Fora isso, eu até entendo o Goec, pois também sou acostumado a fazer esse tipo de coisa.
Sanctvs 19/02/19 (Tue) 17:03:20 No.4080
O que fodeu o PSY foi o ex-chefe, ter entregue tudo o que ele fazia no PC. Saíram dali todos os indícios e provas.
Isso pesou demais, mas tem o fato de que logo depois da "entrevista" com o pessoal do Globo Repórter ele veio no antigo chan soltar a franga e falar até pelo cú, aqueles macacos da Globo estavam lurkando no antigo dogola todo santo santo dia, isso também foi crucial para a condenação.
Outra coisa é que ele falava no chan na cara limpa citando fatos da vida real e postando dezenas de fotos dele mesmo toda semana, ele simplesmente dizia que viajou para X local, que foi em Y evento, que trabalha em Z empresa.
Essas 2 coisas acima somadas com o ex-chefe do Psytoré ter entregado os PCs, foram o que foderam ele de vez.
Sanctvs 20/02/19 (Wed) 13:50:34 No.4127 PSY esqueceu da prórpria regra
Você nunca é preso pelas coisas que voce faz
Você é preso pelos erros que voce comete
O PSY cometeu 2 erros elementares:
1-) Registrar o dominio do dogola no cartao de credito, depois de anos pagando em BTC.
2-) Usar o computador do trabalho descriptografado para acessar, postar, e (gasp) MODERAR o dogola.
O GOEC chamou sim muita atencao indesejável, mas a idéia de atacar o Pedolao com as impressoras foi do Psy. O ÚNICO motivo que o Psy está preso foi pelo ataque das impressoras, mas como isso é impossível provar que foi ele forjaram outras acusaçoes.
Sanctvs 21/02/19 (Thu) 02:07:01 No.4189 Vocês possuem uma memória curta.
No Firechan, quando Gouec estava banido, ele mesmo postou que estava alucinando por aí usando o nome do Psy. Fazendo ameaças a torto e a direito.
Também o W. Barroso avisou que estava comprando drogas e ameaçando universidades no nome do psy.
Então, pra mim, ambos (se não forem a mesma pessoa) possuem uns 50% de culpa por Psy ter se fodido. Os outros 50% de culpa foi ele gerando provas contra si mesmo o tempo todo.
Mas o fato é que a PF precisa de um motivo pra ir pra sua casa e confiscar teus equipamentos. Pra isso criaram a "lei lola", pois queriam pegar qualquer um "dogoleiro" falando coisas pejorativas na rede social, para então (por milagre) descobrir todos os podres do sujeito. A lei lola não precisou ser usada, porque andaram mandando ameaças para universidades no nome do Psy, era a deixa que precisavam pra ir atrás dele.
O objetivo é prender, não precisa ser pelo exato crime cometido. Então arranjaram aquelas coisas do Orkut pra ferrar ele e garantir o inquérito.
Sobre o psy, pra mim o pior foi ele obrigar a userbase a usar o IP real, sendo visto pelo escroto do Goec e o cagueta do Tecnomage (esse era o motivo pelo qual eu não postava mais lá, inclusive não postei nada pra tentar evitar que o Kyo se matasse - havia meses que eu não postava e não quebrei a promessa que tinha feito a mim mesmo). Mas ele não entregou os logs nem os IPs da userbase, então este se redimiu.
Goec é visivelmente desequilibrado, vivia provocando a userbase pra que alguém xingasse ele e isso desse a deixa pra foder mais um aleatório (afinal ele sabia o IP de todo mundo). É um tremendo de um filho da puta, espero que ele esteja morto e queimando no quinto dos infernos. Caso ele esteja vivo, por mim ele tem mais é que ir se foder.
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2018.10.15 18:41 chikinbr Precisamos discutir nosso sistema político

Será que o presidencialismo é a forma de governo mais adequada ao país hoje?
O nosso presidencialismo, na prática, já funciona como um parlamentarismo. Dificilmente alguém consegue governar plenamente sem uma coalisão no congresso. Só que essas coalisões são quase sempre 100% artificiais. Não são ideológicas, são por cargos ou favores.
O problema é que, quando não consegue uma coalisão, esse presidente ou fica completamente inerte no cargo, sendo travado pelo congresso, ou acaba sendo chutado através do impeachment para o estabelecimento de alguma outra pessoa que saiba conduzir melhor o processo e que consiga tocar o país. Impeachment esse que trás graves consequências políticas e econômicas para o país, além de ser sempre muito demorado e penoso. É um sistema muito pouco eficiente.
Foi assim com Collor e Dilma. Ambos os impeachments foram executados mais pela incapacidade de governança dos dois do que por qualquer outra coisa, mesmo que os dois impedimentos tenham sido tocados dentro da normalidade democrática e com respeito às leis, como de fato foram.
O sistema parlamentarista, tomando como base o britânico, é de certa forma mais instável que o presidencialista pela possibilidade das trocas no comando serem mais fáceis. Mas essa ''instabilidade'' é positiva por um lado, pois te permite não só uma alternância maior de poder, como também uma cobrança e uma pressão maior sobre o chefe de estado e uma válvula de escape menos traumática do que um impeachment.
Outra coisa que eu não gosto e acho até um absurdo: juízes das mais altas cortes serem indicados pelo executivo. É óbvio que o cara que indica vai privilegiar pessoas ideologicamente próximas a ele. Resultado disso? Em 13 anos no poder, o PT indicou nada menos do que 12 ministros, quase 1 por ano. Entre eles, Lewandowski e Toffoli, depois petistas de carteirinha. Isso fere diretamente a teoria de tripartição do poder, base da nossa democracia. Eu sei, pra ser aprovado o indicado precisa passar pelo crivo do congresso. Mas pra mim isso é muito pouco. Nem sei qual foi a última vez que o congresso recusou uma indicação. Nem sei se isso já aconteceu. Se o Toffoli, uma nulidade jurídica, foi aprovado, qualquer um é.
Eu sei que não existe um jeito simples de decidir quem irá pro Supremo. Mas há várias formas minimamente mais justas do que essa. Um concurso específico seria interessante. Exigências curriculares mais específicas do que ''notável saber jurídico e reputação ilibada'', que é o que consta na constituição. Limitar o número de indicações por mandato presidencial pra talvez 2 juízes (com exceções em casos de morte ou algum outro ponto fora da curva; só o Lula, em dois mandatos, indicou 9; Getúlio, 21; Figueiredo, 9). Dividir ou revezar a indicação entre os poderes ao invés do monopólio de indicação por parte do executivo. Até mesmo voto popular, com direito a debates entre os concorrentes.
Gostaria de ouvir opiniões sobre o assunto.
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2018.10.03 17:10 matzenegger Uma anedota sobre sindicato e porque para mim ela ajuda a entender um pouco os últimos anos na política (longo)

Na primeira metade da década eu trabalhava como engenheiro em uma Fortune 500 e tinha um padrão de vida bem OK, assim como uns 100~200 engenheiros que trabalhavam no mesmo prédio. Compartilhávamos a planta e o sindicato com alguns milhares de trabalhadores fabris.
Uma vez por ano era debitada na nossa folha de pagamento uma contribuição negocial, que se não me falha a memória era na faixa de uns 100 reais. Um ou outro dava uma chiada, mas ninguém tava disposto a gastar fôlego indo atrás de reclamar com quem quer que fosse, afinal "sindicato é coisa de blue collar e a gente tem mais o que fazer do que arranjar encrenca por causa de 100 reais".
Por vários anos isso acontecia e se o hollerith aparecia na mesa de manhã, a discussão nunca duraria até a hora do almoço. Até o ano em que (vou chutar o valor, mas era nesse ballpark) a contribuição negocial foi de R$ 400.
Aí os white collar subiro nas tamanca.
"- RH, WTF?"
"- O valor da contribuição negocial é definido e submetido a votação na assembleia do sindicato, que é aberta."
A assembleia do sindicato acontece todo ano no meio de algum feriado prolongado. Não que a gente ficasse sabendo ou se importasse, mas se ficasse sabendo, obviamente não iria.
Exceto no ano seguinte (sim, a pistolice durou um ano). No meio do Carnaval. Engenheiro júnior, gerente. Tava todo mundo lá, 99% pela primeira (e, spoilers, última) vez. O local obviamente não era pensado para tanta gente, e dava para ver na cara dos líderes do sindicato o espanto/pânico acompanhando a movimentação.
Hora da votação: "Tivemos gastos esse ano construindo uma churrasqueira XYZ, e trocando a lâmpada do who cares e etc e etc... O Sindicato propõe uma taxa contrinuição negocial de 5%."
(algum engenheiro) "- Eu proponho que a contribuição seja o valor em pontos percentuais de aumento acima da inflação!"
[brados de apoio]
(líder do sindicato) "- Mas isso não é razoavel e sem contar que..."
(algum outro) "- Quem é a favor que seja o aumento acima da inflação levanta a mão."
[praticamente todos levantam a mão]
Extremamente contrariada, mas impotente, a liderança aceitou o resultado e o que seguiu foi uma comemoração ao estilo "É TETRAAA" da engenheirada. E teve confusão também, um "deles" partiu pra cima de um "dos nossos". Cereja do bolo, if you ask me.
Final feliz? Se o final fosse naquele ano, sim. Mas teve desdobramentos, e o que se sabe daí pra frente é oficialmente rumor. O sindicato foi espernear com a diretoria da empresa, dizem que a ameaça foi de sindicalizar através da CUT (não sei como funciona isso, mas enfim -- a ameaça era por a CUT na jogada), ao invés do sindicato pequenininho de uma meia dúzia de empresas da cidade. Dizem que a empresa teve que tirar dos cofres para cobrir o déficit do sindicato. Dizem que pediram a cabeça do engenheiro que tretou lá no sindicato, mas era um cara bom, e o diretor dele bateu no peito pra segurar o cara.
O que não é rumor é que no ano seguinte rolou uma top down para ninguém ir à assembleia do sindicato. Eu mesmo recebi o apelo desesperado do meu chefe via SMS.
A tal da "negociação" que o sindicato fazia para justificar a contribuição sempre se traduzia em um aumento de salário em fevereiro = IPC do ano passado+/- 0,5 peanut, e de uns tempos pra cá nem isso direito, então eu vou usar de licença para chamar a contribuição negocial de roubo. Um roubinho, que seja.
(o trecho abaixo pode ser considerado um TL;DR)
O que eu vejo nisso é que se alguém me rouba um pouquinho, uma vez ou outra eu posso chiar, mas a inércia vence. Se a Vivo inventar uma bullshit pra comer mais 5 pila na minha fatura, quando eu perceber, eu provavelmente não vou achar que vale a pena passar uma hora no telefone pra resolver.
Problema é quando quem faz esse roubinho fica confortável, e o olho cresce, a ganância vence -- e o roubinho vira um roubo apreciável. Falo por mim e por pelo menos umas 100 pessoas que viviam como eu, e eu ouso assumir que tenha mais por aí.
Pelo menos uma parte do que eu vejo acontecer desde 2013 é isso. A galera se passou na roubalheira, e as reações ficam mais extremas, e às vezes mais estabanadas também. Tem cara troca sopapo com o xarope do sindicato, e tem cara que faz um pato de borracha gigante, e tem gente que abre mão de um posicionamento ou outro na hora da eleição para poder mandar um FU pra quem ele associa a essa roubalheira.
EDIT: tirei o disclaimer porque em retrospecto acho que ele não ajudava a conversa. E porque aparentemente eu sou câncer.
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2018.08.25 04:47 throwaygaymay Perdi minha melhor amiga.

Perdi minha melhor amiga.
A história é longa, mas vou resumir aqui. Nós nos conhecemos alguns anos atrás e, em pouco tempo, ficamos bem próximos. Éramos melhores amigos sem dúvida alguma. Faríamos tudo pelo outro e nem nunca desenvolvemos sentimentos românticos um pelo outro, coisa que acho rara em amizades deste tipo.
Antes dela, eu era um bosta antissocial completo. Tudo o que sei sobre socializar e afins foi ela quem me ensinou. Sou uma pessoa melhor por causa dela, e por isso sempre vou amá-la, apesar de tudo o que aconteceu.
Nunca senti uma firmeza do lado dela nessa questão de sermos melhores amigos. Ela dizia que eu era, claro, mas ela nunca provou através de ações, sabe? Em discussões que eu tinha com alguns colegas, ela nunca tomava meu partido; ou ficava neutra, ou ficava do lado deles. Sempre que era ela brigando, porém, eu a defendia de todos os jeitos possíveis, nem me importando quem estava certo ou não. É claro que eu nunca cobraria isso de ninguém. Eu só me irritava com como, mesmo quando eu estava certo, ela se recusava a me apoiar. Não lembro sequer de uma vez que ela estava lá pra mim.
Eu lido com depressão diariamente. Já tentei suicídio algumas vezes, inclusive. Durante minhas crises, ela apareceria e logo desapareceria simplesmente porque outra coisa mais divertida aparecia pra ela. Poderia ser algum menino que ela tivesse interesse, podia ser um anúncio da banda favorita dela. Qualquer coisa era mais importante, mas mesmo assim ela sempre dizia que me amava e etc, então eu fingia que eu só estava sendo um bosta em pensar essas coisas. É óbvio que isso só piorava tudo né?
Ela poderia ficar horas e mais horas sem me responder, apesar de constantemente fazer posts mostrando que podia sim me responder. Nas primeiras vezes eu não me importei, claro. Ninguém tem a obrigação de responder ninguém, afinal. Mas e quando ela passava dias sem falar nada? Claro que sempre que eu reclamava, eu era o cuzão. Então eu aceitei.
A última gota d’água foi no fim de semana passado. Ela fez um churrasco na casa dela que eu não fui porque os convidados eram todos pessoas que eu não gosto. Gente que me trata mal mesmo, sabe? Garotos que me fazem me sentir um lixo todo santo dia. Não chamaria de bullying o que fazem comigo, mas não é ok também.
Eu não liguei pro churrasco porque eu não tenho direito de falar nada sobre os amigos dela ou quem ela chama pra ir na casa dela. Mas então, mais tarde naquele mesmo dia, ela me liga bêbada e me diz que ficou com um dos meninos, no caso o que me trata pior. Eu fiquei completamente puto. O moleque me faz me sentir pior que um cachorro e, de brinde, ainda pega minha melhor amiga? Eu perdi a cabeça.
Durante a semana, nem olhei na cara dela. Se ela quisesse fala comigo, que viesse ela mesma. Mas ela não veio. Não me importei: como eu disse, ela já vinha sendo cuzona comigo desde o começo da amizade, então já estava meio que preparado pra isso, sabe?
Nossos amigos em comum falam que eu deveria ir conversar com ela, mas eu me recuso totalmente. Não é a primeira vez que ela faz algo assim, e eu duvido que vá ser a última. Nós vamos nos formar esse ano, então nem vai fazer tanta diferença assim no final, sabe? Eu quero deixar de lado todas essas amizades tóxicas.
O pior foi descobrir hoje que ela acha que eu sou o errado da história. Foi o que me fez decidir nunca mais falar com ela e escrever esse texto. Eu sei que muitos vão me chamar de infantil ou até coisas piores, mas não sabem o que eu passei nesses últimos 3 anos de EM.
Eu só precisava desabafar.
Se alguém leu tudo, muito obrigado.

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2018.01.29 03:08 SmGo Hoje em decadência, time Carioca ja salvou vidas, relato da Major Elza Cansanção Medeiros

E FOI ASSIM… Que, certa feita, estava um general estadunidense com o General Zenóbio, planejando um ataque, e necessitavam de informes urgentes sobre determinada posição.
Foi organizada uma patrulha. O general americano, através do Capitão Walter Vernon, procurou certificar se cada um dos membros do grupo era imbuído de sua responsabilidade. Foi perguntando de um a um a sua missão na patrulha, até que chegou a um soldado atarracado, pernas tortas, feio, e indagou-lhe: qual sua função? – Eu sou o ISCA.
– O ISCA? Que quer dizer? O que é que você tem que fazer?
– É assim, meu general: quando a gente não tem certeza onde o tedesco esta, eu vou na frente, e se desconfio que esta por perto, eu pulo na frente deles, faço umas “visagens”, ai então atiram em mim; os companheiros vêem onde estão e atiram neles também.
O general ficou admiradíssimo com o sangue frio do nosso pracinha e principalmente com a forma quase displicente com que descrevia um ato de bravura daquele tipo; servis de isca para o inimigo.
Saiu a patrulha. O general estadunidense permaneceu no QG brasileiro até o retorno do grupo. Ao retornarem os patrulheiros, todos se puseram a estudar os informes trazidos, mas em determinado momento o general deu por falta do soldadinho que tanto o impressionara. Onde estava o ISCA? A resposta o deixou desolado. O ISCA não havia retornado. O general ficou muito penalizado e pediu ao Capitão Walter que anotasse no nome do rapaz para uma citação e continuaram a estudar os informes trazidos pelos patrulheiros.
Em dado momento, ouviu-se do lado de fora do P.C. um alarido, uma gritaria, uma discussão:
– Nada disso, quem vai levar este cabra da peste lá pra dentro sou eu. Eu trouxe ele inté aqui, não foi? Por que não posso levar ele inté lá? Vamo, anda, cabra da peste, pra que tu tem umas pernas tão cumpridas? Anda logo seu filho…
Os oficiais que se encontravam reunidos ficaram espantadíssimos ao verem entrar no recinto um enorme alemão, sargento da SS, com pavor estampado na cara, segurando frouxamente na mão esquerda, com o braço pendido um fuzil e atrás dele o atarracado ISCA com uma faca peixeira que a cada momento o cutucava nas costas. Essas “peixeiras”, caracteristicamente usadas pelos cangaceiros nordestinos, foram difundidas entre as tropas e tornou-se de grande utilidade, pois tanto o alemão como os próprios estadunidenses delas tinham verdadeiro pavor.
Esse soldado era da tropa de escol, a famosa SS, e portava orgulhoso a sua Cruz de Ferro, e foi ela que na realidade salvou a sua vida.
– Que negocio é este, soldado, como se atreve a entrar assim. Interrompendo nossa reunião e ainda por cima trazendo para o recinto um alemão armado! – esbravejou um coronel.
– Não, Coronel, o gringo não esta armado não! – Como não esta armado? E este fuzil que ele esta carregando?
– Ah! Bom, Coronel, este é meu fuzil que eu mandei ele carregar pois eu já estava cansado!
– Então você insiste em dizer que ele não esta armado?
– Ta não sinhô, o fuzil eu joguei fora. Mas num se assuste não, Coronel, ele não faz nada não, ele tem medo aqui da minha ‘lambedeira”
– Mas que negocio de trazer o prisioneiro até aqui, você não sabe que entregá-lo para a PM?
– Sei sim, meu Coronel, mas este aqui era muito “ispeciá”
– Especial por que? Como foi que você o pegou?
– O negocio foi assim: quando eu passei por um ataio, vi que este cabra estava bem escondidinho por trás de um moita pra da o bote em riba dos companheiros. Então eu vi logo que tinha mais tedesco pru perto. Sartei na frente deles, fiz as minhas visage pra chamar a atenção do gringo, me joguei no chão quando eles começaram a atirar, e fui chegando de mansinho por trás. A nossa turma passo pra vê mio os bijetivos. Eu fui devagarinho me arrastando e dando a vorta pra pegar ele pur trás pra não estragar a festa dus cumpanheiros. Quando alevantei a lambedeira pra fincar nele, foi que vi que num tava direito, que não podia.
– Não estava direito e podia por que? O que foi que você viu que salvou a vida deste alemão? – perguntaram quase em coro vários oficiais.
– Olha ali no peito dele, Coronel, ele é do nosso time! Apontava com um sorriso a Cruz de Ferro no peito do alemão. Olha Coronel, ele também é torcida do VASCO como o senhor e eu!
Fonte: E Foi Assim Que A Cobra Fumou – Elza Cansanção Pag: 168-169
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2018.01.29 02:42 SmGo Conheça "Isca" Bravo Soldado Brasileiro em relato da Major Elza Cansanção Medeiros

E FOI ASSIM… Que, certa feita, estava um general estadunidense com o General Zenóbio, planejando um ataque, e necessitavam de informes urgentes sobre determinada posição.
Foi organizada uma patrulha. O general americano, através do Capitão Walter Vernon, procurou certificar se cada um dos membros do grupo era imbuído de sua responsabilidade. Foi perguntando de um a um a sua missão na patrulha, até que chegou a um soldado atarracado, pernas tortas, feio, e indagou-lhe: qual sua função? – Eu sou o ISCA.
– O ISCA? Que quer dizer? O que é que você tem que fazer?
– É assim, meu general: quando a gente não tem certeza onde o tedesco esta, eu vou na frente, e se desconfio que esta por perto, eu pulo na frente deles, faço umas “visagens”, ai então atiram em mim; os companheiros vêem onde estão e atiram neles também.
O general ficou admiradíssimo com o sangue frio do nosso pracinha e principalmente com a forma quase displicente com que descrevia um ato de bravura daquele tipo; servis de isca para o inimigo.
Saiu a patrulha. O general estadunidense permaneceu no QG brasileiro até o retorno do grupo. Ao retornarem os patrulheiros, todos se puseram a estudar os informes trazidos, mas em determinado momento o general deu por falta do soldadinho que tanto o impressionara. Onde estava o ISCA? A resposta o deixou desolado. O ISCA não havia retornado. O general ficou muito penalizado e pediu ao Capitão Walter que anotasse no nome do rapaz para uma citação e continuaram a estudar os informes trazidos pelos patrulheiros.
Em dado momento, ouviu-se do lado de fora do P.C. um alarido, uma gritaria, uma discussão:
– Nada disso, quem vai levar este cabra da peste lá pra dentro sou eu. Eu trouxe ele inté aqui, não foi? Por que não posso levar ele inté lá? Vamo, anda, cabra da peste, pra que tu tem umas pernas tão cumpridas? Anda logo seu filho…
Os oficiais que se encontravam reunidos ficaram espantadíssimos ao verem entrar no recinto um enorme alemão, sargento da SS, com pavor estampado na cara, segurando frouxamente na mão esquerda, com o braço pendido um fuzil e atrás dele o atarracado ISCA com uma faca peixeira que a cada momento o cutucava nas costas. Essas “peixeiras”, caracteristicamente usadas pelos cangaceiros nordestinos, foram difundidas entre as tropas e tornou-se de grande utilidade, pois tanto o alemão como os próprios estadunidenses delas tinham verdadeiro pavor.
Esse soldado era da tropa de escol, a famosa SS, e portava orgulhoso a sua Cruz de Ferro, e foi ela que na realidade salvou a sua vida.
– Que negocio é este, soldado, como se atreve a entrar assim. Interrompendo nossa reunião e ainda por cima trazendo para o recinto um alemão armado! – esbravejou um coronel.
– Não, Coronel, o gringo não esta armado não! – Como não esta armado? E este fuzil que ele esta carregando?
– Ah! Bom, Coronel, este é meu fuzil que eu mandei ele carregar pois eu já estava cansado!
– Então você insiste em dizer que ele não esta armado?
– Ta não sinhô, o fuzil eu joguei fora. Mas num se assuste não, Coronel, ele não faz nada não, ele tem medo aqui da minha ‘lambedeira”
– Mas que negocio de trazer o prisioneiro até aqui, você não sabe que entregá-lo para a PM?
– Sei sim, meu Coronel, mas este aqui era muito “ispeciá”
– Especial por que? Como foi que você o pegou?
– O negocio foi assim: quando eu passei por um ataio, vi que este cabra estava bem escondidinho por trás de um moita pra da o bote em riba dos companheiros. Então eu vi logo que tinha mais tedesco pru perto. Sartei na frente deles, fiz as minhas visage pra chamar a atenção do gringo, me joguei no chão quando eles começaram a atirar, e fui chegando de mansinho por trás. A nossa turma passo pra vê mio os bijetivos. Eu fui devagarinho me arrastando e dando a vorta pra pegar ele pur trás pra não estragar a festa dus cumpanheiros. Quando alevantei a lambedeira pra fincar nele, foi que vi que num tava direito, que não podia.
– Não estava direito e podia por que? O que foi que você viu que salvou a vida deste alemão? – perguntaram quase em coro vários oficiais.
– Olha ali no peito dele, Coronel, ele é do nosso time! Apontava com um sorriso a Cruz de Ferro no peito do alemão. Olha Coronel, ele também é torcida do VASCO como o senhor e eu!
Fonte: E Foi Assim Que A Cobra Fumou – Elza Cansanção Pag: 168-169
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2017.12.15 15:42 jecagado [Leitura Obrigatória] Resolvi fazer um textão.

Hoje em dia me sinto incapaz.
Não é zoera nem nada do tipo, é que ... Eu lembro que aos meus 8/9 anos de idade, eu já sabia fazer muita coisa em que as pessoas diziam que eu não era capaz.
Jurista americano defende que o regime nazista impediu que os cidadãos se armassem, e que essa medida facilitou a perseguição aos judeus
E apoia sua posição em uma pesquisa que comprova: o governo alemão de Adolf Hitler temia ações populares e fez de tudo para desarmar potenciais adversários do regime, ou pessoas que o Terceiro Reich pretendia perseguir. Ele é um dos mais importantes defensores, nos Estados Unidos, da Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), e já advogou, dentro do Congresso americano, a favor do argumento de que a posse de armas é um direito de todo cidadão – afirma isso com base na Segunda Emenda da Constituição do país, que diz: “Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser infringido”.
Sempre tive um bom conhecimento em informática pra minha idade, aos 13 anos eu já conseguia fazer muita coisa com o PC, que muito marmanjo nem sonhava. Eu parecia aprender com muito mais facilidade na infância, hoje as coisas se tornaram um pouco mais difícil. Essa semana eu fui em uma convenção dessas 'nerds' que acontecem por ai, e vi muitas crianças agindo feito adultas. Vi alguns casais homo afetivos, onde a mulecada não aparentava ter mais do que 14 anos (absolutamente nada contra). O que eu quero dizer é que, a falta de contato com o mundo (isso na época onde eu vivi a minha infância/adolescência), me fez acreditar que eu era incapaz de fazer o que eu queria, mesmo eu sendo completamente capaz, entendem ? (e não eu não estou falando de dar o brioco UAHUAH) Lembro que queria fazer um curso de Técnico em informática aos 12/13 anos de idade, ouvi: "Não, você é muito novo pra essas coisas!" Aos 15 quis entrar pra uma academia; "Não seu corpo ainda não está formado ainda!" Aos 16 obtive meu emprego, fiquei MUITO FELIZ, 6 meses depois: "Não, você não precisa trabalhar agora, vai estudar!" (fui obrigado a largar o emprego por escolha dos meus pais) Hoje eu estava avulso no Youtube, e vi um video de uma garota "rebelde" por nome de Danielle Bregoli, conhecida como Bhad Bhabie, uma "trapper" americana de 14 anos, que viralizou ano passado no Youtube, chamando não só a platéia, como a mãe pra briga no meio de um palco de um programa televisivo (desses tipo a "Super Nanni") Após viralizar, ela ganhou muitos seguidores no Instagram, e aproveitando a "fama" repentina, ela resolveu lançar algumas musicas no youtube, e alguns de seus videos (desse ano) chegaram a marca de 52 milhões de vizualizações. Tudo isso com 14 anos de idade. Isso me fez pensar que, o contato com o mundo através da internet, faz a criança /adolescente crer que ele é mesmo capaz de fazer certas coisas as quais os adultos ao seu redor, estão a todo momento os limitando. Toda aquela proteção criada em torno das pessoas com seus respectivos filhos, são mesmo necessárias ? Por que não apresentar o mundo logo para as crianças, ao invés de criar toda uma blindagem a cerca da criança ? Digo ... Eu tenho 23 anos de idade, e eu juro pra vocês que eu estou tendo contato com as pessoas /mundo nessa época da minha vida, eu to começando a entender o que é a vida. As vezes eu me sinto como um adolescente de 15 anos idade de hoje em dia.
Mas a obra também descreve e analisa a legislação alemã, desde o fim da Primeira Guerra Mundial até o auge do Terceiro Reich, que aprovou uma lei de 1938 formalizando a caça a qualquer cidadão que ainda tivesse armas. Nos idos de dezembro de 1922, eu havia conseguido estocar, fora de Munique, quinze metralhadoras Maxim, mais de duzentas granadas de mão, 175 rifles em perfeito estado e milhares de cartuchos de munição”. “No entanto, quantas histórias individuais poderiam ter sido escritas de outro modo?” Afinal, ele afirma em eu livro, “os próprios nazistas viam os judeus armados como suficientemente perigosos para minar sua estratégia de desarmá-los.” Leia a entrevista com o jurista Stephen Halbrook É possível comparar a política de controle de armas do Terceiro Reich com as regras adotadas nos países democráticos do século 21? Manter registros é uma política similar à realizada na Alemanha nos anos 1920, e os nazistas se aproveitaram dessas listas em 1933, quando chegaram ao poder. Nos séculos 19 e 20, o país manteve uma milícia armada, e todos os seus membros – cidadãos civis livres – precisavam manter armas em casa e estar prontos para se mobilizar com agilidade.
Bom, tudo começou quando conheci uma menina no tinder e de imediato rolou uma reciprocidade no aplicativo. Resolvemos passar a conversa no wpp, se conhecer melhor e até marcar um encontro. Ficamos mais ou menos 1 mês conversando sem parar, até surgir o primeiro desintendimento e logo no dia que ela estava mais sensível. Pedi desculpas pelo que eu fiz, ela me perdoou e fomos voltando ao normal aos poucos, quando me dei conta aquela paixão de antes no tinder virou uma amizade. E ficamos assim mais ou menos uns 3 meses, saímos algumas vezes, mas era só uma amizade. O tempo foi passando e percebia que cada vez mais os nossos pensamentos e ideais se combinavam. Nisso comecei a sentir uma atração forte por ela e um desejo de ficar com ela, de ter ela na minha vida. Fui até ela eu disse o que queria, que queria um relacionamento serio com ela. Porém ela disse que era para a gente ir com calma, sem apressar as coisas e ver no que ia dar. Então eu aceitei a resposta dela e ficamos juntos como ficantes, não era apenas uma amizade, mas também não era um namoro, pois havia sentimentos profundos envolvidos. Depois disso passei a frequentar a casa dela, os pais dela mostravam que gostavam de mim e isso me deixava feliz. Estava tudo lindo e maravilhoso, até eu saber ontem que os pais dela falaram muito no ouvido dela, dizendo que a gente não assumia logo, que eu não queria nada com ela, que por eu não ter faculdade não quero nada com a vida. Logo que ela terminou de falar comigo sobre isso, fiquei chateado e puto ao mesmo tempo.
Se você é pai, cara, aproveita o potencial do teu filho. Para de tentar criar uma blindagem de mundo perfeito pro seu filho, porque o mundo não é perfeito. Essas crianças que apoiam o Bolsonaro por ai, não passam de um bando de frustrado ... É mais do que claro que essa molecada vive sob um estado de blindagem criado pelos próprios pais em seus condomínios fechados (eu tenho certeza disso). Ahh ... não sei nem mais o que escrever ... Perdão pelos erros 'hortográficos', to sem paciência até pra redigir um texto bem elaborado.
Então ela fala para mim que devido a isso ela quer dá um tempo, porque está cansada de ouvir os pais falando no ouvido dela. Eu entendi a situação dela, mas e a minha? Será que ninguém liga para os meus sentimentos? Eu sinceramente não sei o que fazer com essa situação toda. Eu quero ficar com ela, mas parece que está ficando complicado. Adoraria ouvir os seus conselhos em relação a este meu caso. Obrigado a todos que leram!
TL;DR : Eu sinto que as crianças são muito subestimadas, até mais do que deveriam, então resolvi fazer um textão.
*Edit: Ajeitei os parágrafos
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2017.11.13 11:57 eletrotectp Tudo mudou

Eu não fui um cara bom. Na verdade, durante a minha vida toda eu não fui um cara bom, mas você sofreu mais com isso, muito mais do que meus familiares. Bipolaridade? Borderline? Depressão? Tentativas de suicídio? Passamos por muita coisa, mas hoje eu posso dizer que estou bem melhor que da última vez que falamos. Eu gostei de você de verdade mas tem coisas que não são pra ser. Cheguei a te odiar, mas o ciclo de raiva me fez piorar. Foi através disso que eu descobri, reconheci e aceitei que você tinha que ser feliz ao lado de outra pessoa. Eu suponho que isso é amor, algo bem superiodiferente da paixão que eu sentia e me confundia. Me perdoa por toda pressão psicológica, por ter te sugado e chantageado com artimanhas para você ficar. Isso foi parte de um jogo sujo e eu me arrependo. Fazem 3 meses que eu consegui um emprego novo. Não é o trampo dos sonhos, mas paga as minhas contas e me ajuda a me curar da fobia social que me atacou por anos. Meu pai desistiu de me fazer seguir a carreira dele. Você lembra como isso me consumia? Acabou como se eu tivesse acordado de um pesadelo, depois de uma conversa bem longa. Há duas semanas eu tenho pego ônibus com uma ruivinha do cabelo vermelho. Ela sorri pra mim do jeito que eu achava que nunca mais sorririam. Acho que to apaixonado... de novo. Você achava que isso poderia acontecer? Eu não. Eu sei que você está feliz hoje com sua vida e eu nunca quereria estragar isso. Você me ajudou a me curar de problemas que eu nem entendia direito, então só posso agradecer e pedir perdão por todo o mal que causei. Espero que você ainda olhe esse sub como fazia antes. Espero que um dia me perdoe (mas eu entendo se não). É madrugada. Passaram-se 6 meses da última vez que nos falamos. Eu não sei se vou me curar. A terapia tem ajudado pra cacete. O que importa é que eu to conseguindo. Conseguindo me sentir bem e ser um cara melhor. Pra mim e para os outros. Obrigado por tudo e perdão pelo sofrimento

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2017.03.19 06:27 Cabelitz Assisti The Red Pill. Oh boy... [spoilers]

Acabei de assistir ao The Red Pill e gostaria de deixar pra vocês minha avaliação da coisa (como se alguém se importasse com a minha opinião).
Q U A L I D A D E:
Com respeito à tecnicalidade e qualidade do documentário, eu achei bastante... amador. Os vídeos do Mamãe Falei tem qualidade gráfica superior em questão de gravação. O áudio não é normalizado (algumas pessoas falam muito mais baixo e eu tive de botar o volume da TV no 20 pra ouvir, de repente mudava a pessoa falando e eu tinha de descer o volume pro 7), a câmera usa um foco muito curto por vezes deixando o queixo e nariz em foco mas borrando os olhos e testa do entrevistado, muitas ceninhas fillers sem motivo (a Cassie passando de carro), fontes péssimas com cores péssimas pra se ler na tela sem contraste razoável entre fundo e letra... enfim, em questão de qualidade técnica é muito fraco. Se tirassem os fillers daria pra descer o tempo de screenplay abaixo da 1h40min. 
C O N T E Ú D O:
Tem quem diga que o documentário é propaganda, tem quem diga que é misógino, tem quem diga que o documentário foi imparcial. Minha avaliação é de que claro que teve propaganda, mas mesmo a propaganda que teve não foi tão desproporcional assim; ambos os autores citados (um de cada lado da discussão) tiveram não só seus nomes citados, como suas obras citadas e como também foram entrevistados. Como o documentário sugere, foi dado ênfase sim ao do lado dos MRA. O documentário inteiro tem dois momentos só salpicados de guilt trips, tem uma cena cringe pra caralho, mas fora isso é bem razoável e imparcial. Nos momentos em que cita algum dado estatístico, é mostrado na tela junto do dado de onde esse dado saiu, and I shit you not, eles NÃO tiram os dados deles da Veja. Os dados saem da OSHA, do departamento de defesa americana e fontes do naipe. Os gráficos que são usados para representar os dados são simples, visualmente fáceis e rápidos de entender, não te acumulam dados na cara pra tu ter de ficar que nem a Nazaré calculando e quando os dados são "calculados ao vivo", são bem diretos ao ponto. Aparentemente um dos objetivos do documentário era não só jogar uma luz em cima do MRM, mas também documentar a mudança do entendimento da Cassie sobre o assunto durante a filmagem, algo que nós ficamos sabendo através de excerpts do diário dela, em vídeo, com algumas cenas espalhadas no documentário (bem poucas na real). Nos momentos onde o feminismo é citado vemos um bias sim: todas as vezes que o feminismo é mostrado de alguma forma, ele é entre moderado (aka entendo que os homens tenham problemas, porém meus problemas são piores) à extremo (aka não, homens vivem no paraíso). Diversas cenas mostram tentativas de palestra do MRM e protestos feministas tentando calar e cessar a palestra. Além disso, somente 3 feministas tiveram voz ativa nas cenas: a feminista entrevistada, autora de livro, a feminista amiga grávida de 8 meses e aquela doida do cabelo vermelho do triggered. Em algumas cenas (e isso apesar de não ser necessariamente parcialidade) intercala um pedaço da entrevista com um dos MRAs e a da triggered. As partes que ela fala são "gritando" e cheia de palavrões à esmo, a do cara é ele falando "manso" e sem perder a linha. Bem biased mas não imparcial, já que mostrou a opinião de ambos ao invés de tentar fazer um clash entre eles. Outro ponto que não posso dizer que foi parcial mas botou numa situação difícil foi que a Cassie pega uma questão e leva para o professor de universidade (blue piller) que ao tentar responder, gagueja. Durante o desenvolvimento dos assuntos é entregue para o telespectador algumas perguntas do tipo though provoking, tentando fazer com que a pessoa veja sob uma determinada lógica simples alguns dos cernes das argumentações do MRM. Essas perguntas eram sempre pontuadas por estatísticas ou anedotas com respeito ao ponto levantado. 
S P O I L E R S:
Teve 3 momentos CHAVE no documentário, de suma importância para levar a pessoa que está assistindo à progredir no assunto. O primeiro momento é aos 20min de documentário: aos 20min é apresentado uma cena do diário em que Cassie diz que ela tá assistindo uma palestra do escritor red piller e ela vê algumas mulheres sentadas de braços cruzados, parecendo desconfortáveis. Ela diz que "sentar numa multidão onde tem um cara falando que homens são oprimidos e mulheres não tão TÃO na pior assim te bota na defensiva". E aí ela faz observação importante: "Eu imagino se os homens também não cruzam os braços numa palestra feminista pensando... do que que você tá falando? Eu não tenho todo esse poder aí e a grama do 'vizinho aqui' também é bem merdinha.". O segundo momento importante com 1h15min de documentário é quando ela levanta o questionamento: "se MRM e feminismo querem a mesma coisa porque então não unem forças?"; O resto do documentário tenta explicar o porque. Cue: as feministas não querem. O terceiro momento importante é aos 1h40min de documentário, quando uma das entrevistadas red piller levanta o argumento de que a terminologia aplicada pelo feminismo e que se enraizou na cultura popular é uma das grandes faces do problema que impede as feministas moderadas de aderir ao MRM também. Ela demonstra isso com a afirmação "o feminismo nunca disse que o homem era o problema: só nomeou tudo que existe de ruim em homenagem ao homem (patriarcado), e tudo que é bom e justo em homenagem à mulher." Com direito à mulher fazendo carinha de "pois é né?" ao final da frase. 
C O N C L U S Ã O:
By all means, assistam. Vale a pena, puramente pelo conteúdo resumido e mastigado do que é o MRM. Não esperem uma grande produção. Mas de maneira nenhuma dá pra chamar o documentário de biased como tem saído nos reviews. Pra mim, um sólido 7/10. Perdendo 3 pontos fácil por não ter dado mais oportunidade à contra argumentação, por não ter tido uma primazia técnica maior e por tentar socar MUITO assunto em 2 horas de filme, fazendo tudo ficar fracamente embasado.
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2016.10.27 22:27 Lake_Mungo Trechos Gerais

Fragmentos de textos interessantes:
PNL não tem qualquer eficácia comprovada. E terapia eriksoniana é discutida em quase todo mundo como abordagem contestável.
E em geral, cura súbita ou melhora brusca implica em sensibilização, e em grande parte, risco. Serve em casos que o sujeito tem uma autoconfiança mínima, mas a chance de fazer um sujeito tender a um comportamento agressivo qualquer e isso implicar em um novo problema, esse agora, material, é significativa. Existem diversos casos de pessoas que sequer tem repertório verbal pra descrever o problema mas reclamam de "não devia ter feito" alguma coisa.
Emular segurança em uma pessoa é fácil. Controlar as consequências disso é impossível. Se não tivesse motivo pra haver terapia, com certeza, não haveria terapia. E eu bem gostaria que PNL ou módulos motivacionais quaisquer tivessem efeito positivo bom (parece pleonasmo pra quem não é do meio, mas é assim que se fala lol), mas pelo que ando estudando (propensão a risco, recaída e porras assim), todos indícios são de eficácia nula e aumento brusco de comportamentos globais, que em situação de risco ou vulnerabilidade, implicam em uma conduta imprudente por parte do paciente.
Manja aquela de "agora sou o super homem, pode vir qualquer coisa pela minha frente e nada vai me abalar". Bem, nunca ouvi falar de nenhum super-homem na vida real.
 
 
Regressão é coisa de espírita cara, envolve fé. Demanda que tu tenha crença em "vidas passadas" e essas merdas.
Apesar de que uma galerinha segue a tão discutível abordagem Eriksoniana. Hora Médicos (psiquiatras), hora Psicólogos. Nesse caso se restringem a regredir no seu tempo de vida apenas.
Vou tentar me manter resumido: Problemas? Bem, muitos:
  • Teórico/metodológico: Você retorna para fases anteriores da sua vida em geral buscando "fontes", mas tem confiabilidade 0 dos dados (tal como introspecção, os dados são completamente insubstanciais, tendenciosos, discutíveis e impossíveis de serem replicados e nem mesmo reproduzidos).
  • Partindo desse princípio, ok, a abordagem se baseia no "auto conhecimento". Trabalhando conhecimento como uma experiência vívida e consciente. E ela é por algum motivo avaliada de forma inconsciente. Dá pra entender? Tu vai, volta, "relembra", e isso trás algum dado? Provoca alguma mudança? Dafuc.
  • Onde diabos fica a memória do sujeito? Ele tem diversas memórias que acompanham diferentes idades? Memória é um campo complicado, mas ela costuma se fragmentar em diferentes aspectos (difícil montar cenas inteiras, sentimentos, todas percepções de um momento muito antigo), e mesmo assim, ela teve validade para aquele momento em específico. Você cresce, as variáveis mudam, e aquele momento em si não tem influência direta com quem você é hoje além do simbólico. Abordagens que trabalham simbolismo vão considerar isso como variável, mas ainda assim, partindo do princípio de uma memória induzida? Sem confiabilidade? Você pode simplesmente produzir um estado ou até mesmo uma consciência por via da sugestão (sugestionamento).
Esses problemas são os que inviabilizam pra mim o método cientificamente. Não são críticas minhas, são provenientes principalmente da área médica-comportamental, lógico. Mas isso é praticamente um consenso hoje em dia na ciência simplesmente porque consideram avanços científicos e metodológicos. Inclusive a psicanálise e as áreas humanísticas da psicologia costumam recusar métodos como de hipnose, e nunca aceitaram PNL.
Se quiserem (se acharem que vem ao caso), eu falo o que controla motivação, e como eu lido com o conceito e descrevo como ela pode ser treinada ou desenvolvida, como preferirem chamar. Com esses programas ai de PNL ou qualquer outra abordagem motivacional, você consegue resultados sim. Não é em todas pessoas, não é em qualquer condição, mas obviamente (vulgo, se tu ler um mínimo de princípios da psicologia) sabe que um dos estados psicológicos mais comuns é o da sugestão. Pessoas com baixa crítica, baixa autonomia, baixa resistência a frustração e principalmente baixo repertório comportamental são EXTREMAMENTE suscetíveis a comportamentos modelo, se tu apresenta um modelo muito claro pra ela, e descreve através de um puta orador, os efeitos são monstruosos.
Manja "receita do sucesso"? Tem muito mais a ver com "Anda filho da puta, faça algo" com "Vai estudar". Caso contrário, não é uma receita, não imediata. Porra, olhando em volta tu percebe uma porrada de pessoa que não "se utiliza do seu potencial", a gente mesmo perde muito tempo com "coisas banais como lazer", ou em pensamentos repetitivos disfuncionais, frustrações, problemas que se consolidam em rotinas. A gente (no geral) tem uma tendência comportamental fortíssima em se acostumar. Nos EUA principalmente essas intervenções motivacionais "funcionam" bastante, mas lá a organização é outra.
Não é tão simples, depende do que tu considera "funcionar". Regressão pra mim é de uma inconsistência teórica monstruosa, e sequer acredito que vivências anteriores controlam comportamento atual (tenho bases mais do que suficientes pra isso, ao ponto de ser banal discutir o contrário).
 
 
Pra início de conversa: Sou psicólogo comportamental, sigo a linha behaviorista radical. A base é biológica e sem influência de outras áreas. A dissociação é importante pra deixar claro que eu não compartilho do paradigma cognitivista o qual é inconsistente (e até paradoxal) teoricamente.
Quanto a emoção: a primeira dissociação importante pra ser evidenciada é que em si, ela é comportamento reflexo (seguindo um sistema respondente pareado ao operante). Isso quer dizer que diante de alguns contingentes ambientais (S), assumimos determinados comportamentos ® e que isso provoca uma consequência ©, que será reforçadora caso a frequência desse comportamento seja aumentada, e punitiva caso esse comportamento tenha frequência reduzida. Esse é o paradigma básico pra qualquer sistema operante.
A emoção e o sistema operante vão compartilhar do mesmo antecedente. O comportamento vai ser controlado em função da consequência do sistema operante, e a emoção será um sistema respondente pareado. A nota imprescindível aqui é: A emoção não provoca comportamento, nem é a resposta operante. Exemplo? Temos medo daquilo que aprendemos a temer, mas podemos lidar com aquilo a partir do momento que nossa aproximação desse comportamento é reforçadora. Caso tenha curiosidade, eu tenho uns capítulos sobre. Mas entende o importante? Emoção é pano de fundo para os comportamentos, são sistemas respondentes e os sentimentos são as descrições atribuídas.
PS: não estou falando sobre mudança de comportamento aqui. Mas se você simplesmente treinar uma pessoa a assumir um comportamento X, você tá expressando um modelo e os problemas seriam decorrências comuns de se seguir apenas modelos. São muitos e tá longe de ser o ideal principalmente quanto a autonomia.
 
Quanto a tendência a se acostumar: Pensa que todos seus comportamentos são como são porque assim foram reforçados e tiveram sua frequência aumentada. Tudo que tu faz tem em geral um modo de ser feito que você identifica como ideal. Pessoas com maior foco em desempenho, estão constantemente reavaliando variáveis de seus comportamentos, e ainda assim, sempre vão visar a maior fonte de reforço possível. Assim que você atingir um nível de reforço satisfatório, o número de comportamentos diferentes desse vai naturalmente ficar bem reduzido. A noção de repertório comportamental é muito próxima de alguns conceitos de personalidade pelo exato mesmo motivo.
Todo novo comportamento implica em sucessivas aproximações de um comportamento que atinja um nível satisfatório de reforço. Aprender tem muito mais a ver com "falhar miseravelmente" do que "fazer direito", porque se tu faz direito da primeira vez, potencialmente tu já sabia fazer e não precisou fazer adequação alguma. De qualquer forma, deu pra entender? Tentar algo novo implica em desafio, frustração e uma expectativa de reforço sempre presente. Em geral, é muito raro tentarmos fazer algo novo sem que exista uma operação estabelecedora em ação. Operação estabelecedora é o conceito utilizado para motivação dentro da psicologia comportamental. Ela é assim chamada porque ela é alguma operação (antecedente ao comportamento) ao qual estabelece um (1) aumento da probabilidade da execução de um comportamento específico (efeito evocativo) e (2) aumento da qualidade reforçadora de alguma consequência (efeito estabelecedor), existem outros 2 efeitos mas eles caem em questões teóricas mais avançadas, de maneira geral basta entender que os componentes da motivação dentro da psicologia comportamental são bem materiais e experimentalmente testáveis. Existe sim um gigantesco avanço teórico nesse campo, diferente das abordagens clássicas da motivação. O principal ganho é, novamente, autonomia e consequente a isso, capacidade de auto-controle, auto-gestão (por sinal, isso é a principal resposta aos críticos da psicologia comportamental, os quais afirmam que segundo a perspectiva teórica, você é impossível de ter qualquer experiência de liberdade).
 
Quanto a suscetibilidade: Aqui estamos falando diretamente de repertório comportamental. Um sujeito com pouca autonomia em geral tanto tem um repertório restrito (podemos dizer que ele "sabe fazer poucas coisas", faltaria saber quanto ao que), e isso de maneira geral tem relação íntima com aprendizados via modelo. Manja aquele guri que só vai ser reforçado se fizer do jeito que o pai mandar? Ou aquele que só vai receber certo se fizer do jeito que o professor mandar? Se em todo lugar da vida de uma pessoa ela só é instruída a fazer de alguma forma, e na sua vida (condições naturais de reforço) ele for punido por qualquer tentativa criativa de solucionar um problema, pronto, fodeu. Teremos uma pessoa com baixa autonomia ao longo prazo, a qual talvez até siga muito bem um modelo bem descrito, mas a sua capacidade de solução de problema é bem restrita.
Agora pensa nas relações de reforço que esse sujeito vai estabelecer? A todo e qualquer modelo, ele vai ver uma descrição de como obter reforço, enquanto ele não vai ter repertório próprio algum (vulgo, estratégias) pra responder adequadamente ao problema disposto. No fim das contas esse sujeito vai sempre esquivar de responder por si próprio, enquanto vai ter uma probabilidade imensa de seguir descrições de contingências feitas por terceiros. Uma pessoa inclusive pode ser feliz assim. Quem aqui nunca conheceu alguém submisso? Tem gente que gosta. Eu não gosto. Vai do que a pessoa considera um objetivo pra ela.
Eu sou um defensor invariável da autonomia e acredito que sem autonomia não existe saúde mental. As pessoas devem ser estimuladas SEMPRE a procurarem soluções criativas para os problemas do dia a dia. E isso implica em não ser um filho da puta punitivo com qualquer erro de terceiros e sempre focar em onde diabos aquilo ali foi uma tentativa de desenvolvimento. Com isso no fim das contas eu acabo tendo uma vida com muito mais feedbacks positivos. Curiosamente, aqui no forum é justamente o contrário, aqui passa muito longe de ser um lugar para feedbacks positivos, e sim um lugar pra opiniões formadas e impositivas. A diferença daqui pro dia a dia é gigantesca.
 
 
William James é um dos pais, senão O pai do pragmatismo, que sim, é a base filosófica do behaviorismo radical.
A escolha do terapeuta tem muita relação com o perfil do sujeito que tá procurando terapia. É um assunto um pouco mais complicado e no fim das contas eu vou sempre puxar saco pra minha linha, então melhor eu nem falar muito. Mas a dica que dou é: peça indicação de um bom terapeuta na sua região, recomendações são sempre boas. Sabendo a perspectiva clínica dele (qual teoria que fundamenta a prática dele), tu pode pesquisar sobre e ver se tu vê sentido naquilo, se tu concorda ou coisa assim.
A maior dificuldade é sempre encontrar um terapeuta que tu goste, é igual médico/dentista.
E não sei direito sobre a dissociação que o the-dude fez, mas psiquiatria e psicanálise são coisas bem diferentes, e de qualquer modo, a rotulação é sempre algo complicado. O paciente é sempre mais do que um sinal ou sintoma. Pro behaviorismo radical mesmo muito pouca coisa é tratada como patologia pra tu ter ideia. O lance de dissociar behaviorismo radical e cognitivismo tem mais relação com o que eu ia falar, o cognitivismo assume umas paradas meio controversas quanto emoções e a produção de comportamento, ou mesmo no objetivo de qualquer terapia. No cognitivismo por sinal o que se trata é a queixa em geral. Tipo, se tu tem insônia, se trata a insônia, como módulo. Inclusive existem livros que deixam claro até a média de consultas necessárias e o que deve haver no programa da terapia. Saca? Eu acho foda isso, apesar de que quando eu clinicava, raramente eu precisava ficar mais de 6 meses com um paciente. Mas uma coisa é seguir módulos, outra é de fato estabelecer uma relação terapêutica e a partir do que ela for mostrando, os dois (paciente e terapeuta) determinam os objetivos, a temática de cada sessão e coisas do tipo.
 
 
Essa é a parte foda e "difícil de explicar". A primeira resposta é a mais complicada. Psicanálise, seja lá de qual for o autor, ela não é científica. Mas calma, isso não é o fim do mundo. Existe uma dinâmica a qual é coerente metodologicamente até certo ponto, mas científica ela não é. Ela trabalha relações subjetivas através de representações e postulados que tem validade DENTRO DA TEORIA, que quando trabalhados com o sujeito, seguindo uma porrada de identificações (que vão ter nomes diferentes pra cada teoria), se constrói um campo terapêutico, que em geral, é simbólico, mas se nossa fala/escrita e mesmo pensamento é simbólico, dá pra entender o porque que trabalhar simbolismo gera efeitos positivos sob o sujeito né?
Dai tá a gigantesca cisão na psicologia. Não sou bom nessa área, mas fiz minhas escolhas né. A psicologia comportamental é científica (vulgo, tudo que a gente trabalha tem respaldo em teoria E foi testado por via experimental E pode ser replicado). Essa é a parte que gera uma merda infernal na psicologia. Quando a gente trabalha clínica, no mundo inteiro, tem esse direcionamento pra psicologia comportamental (e dentro dela, as duas principais escolas, o behaviorismo radical e o cognitivismo). Psicanálise só é encontrada em grades curriculares de psicologia em 2 países do mundo: Brasil e Argentina, salvo engano, é essa a informação que tenho.
Abordagens humanísticas caminham pro mesmo lado, não são científicas, mas tem uma base que é científica (a da gestalt teoria), mas nesse campo eu sei menos ainda. Gestalt em geral é aplicada em áreas como publicidade e marketing. Mas quanto a terapia, ela novamente não é científica MAS guarda de uma coesão interna.
Na minha opinião, o mundo inteiro tem um motivo pra ir pro lado da biologia. A força que a ciência traz e principalmente o poder de ilustração/demonstração que um estudo experimental traz é MUITO contundente. Por mais que acredite que a clínica de outras teorias nunca vá morrer (bem, não dá pra mentir que boa parte das pessoas tem problemas de forte caráter simbólico), a tendência é que a psicologia clínica acabe ficando muito pro lado com comprovação científica. Em muitos países, psicologia clínica é sinônimo de psicologia comportamental. Nos estados unidos e na áfrica do sul é mais ou menos assim já.
E "o que funciona" no fim das contas é sempre o que se estabelece na terapia. É imprevisível demais. Mas acredito que seja exatamente por esse motivo que é tão foda achar um terapeuta bom. A formação em psicologia é ridiculamente fraca no Brasil. Dá pra formar não sabendo porra nenhuma, grande parte da minha turma, e vamos falar da minha área teórica: de todos os meus 12~14 colegas de clínica, eu consigo dizer que no máximo 4 deles conseguiam lidar com a imprevisibilidade de uma queixa. Quase todos os outros não fariam nem ideia de como estruturar uma hipótese. E isso porque to falando dos psicólogos comportamentais com que me formei (as outras abordagens acredito que seja pior ainda, simplesmente por demandar de bem mais estudo inicialmente).
 
 
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2016.05.19 14:52 jvoese Conto ambientado no Universo Redenção!

O Velho Cientista
escrito por Jhon Voese
Parte 1 A TV do bar estava ligada, mas poucos prestavam a atenção ao que ela dizia. Além do robô semi-humanoide que limpava o balcão, que devido à sua programação gravava qualquer estímulo que pudesse acrescentar conhecimento, também havia um homem velho ouvindo a notícia.
“-Hoje é um dia muito importante para a fundação Heinrich, pois o seu atual presidente, Kevin Heinrich, anunciou a parceria com a corporação Naturax, para exploração de novas espécies de vida no bioma Amazônico. – dizia a repórter com empolgação.”
– Nhá. Eu sabia que se deixasse o menino no comando ele iria me decepcionar. – falou o velho curvado sobre o balcão.
– O senhor Falava comigo?–inquiriu o barbot.
– Não. Acho que resmungava sozinho mesmo. Creio que a idade está me deixando rabugento e as reclamações me fogem ao controle. – respondeu o velho.
– Tudo bem senhor, se quiser desabafar alguma coisa, estou aqui para lhe servir. – continuou o mecanóide.
– Pois bem, acho que um pouco de conversa não fará mal a ninguém. Traga mais um pouco da sua melhor cachaça que vou lhe contar minha história. –disse o velho.
– Pedido interessante, devo dizer, pois posso concluir que falaremos do Brasil, e nada mais apropriado para regar nosso papo do que uma bebida típica desse país tão belo. – o barbot, tinha uma inteligência artificial que conseguia adaptar-se ao interlocutor usando, para isso, todas as informações que captava na conversa.
– Você até que é bem esperto para um barbot, devia estar na faculdade de robôs, ao invés, de servindo bebidas para velhos chatos como eu. – brincou.
– Minha programação, foi desenhada para ser uma boa companhia para os clientes do nosso bar e cá entre nós, a faculdade de robôs deve ser uma chatice maior do que as reclamações de qualquer velho chato. – respondeu o robô.
O velho riu como se fosse jovem outra vez. Pegou o copo com a dose de cachaça que havia pedido e de súbito foi tomado pelas lembranças triste que subiam na contramão do líquido que descia quente por sua garganta.
O robô paciente como só um barbot sabe ser, fitou o homem remoer sua histórias em silêncio, pois sabia que daqui a pouco seria engolido por histórias e aproveitou também para apreciar o silêncio.
– Eu nem sempre fui um velho chato com cara de mendigo. – começou o homem. – Há muitos anos eu estava na faculdade de astro biologia. Sentia que podia ajudar o mundo a entender melhor a vida fora de nosso planeta. Dois erros num só pensamento. Hoje percebo que nem mesmo podemos compreender a vida que está em nosso planeta, quanto menos entender o que está lá fora. E outra, os homens não querem entender nada. Eles só querem consumir, destruir e vender tudo o que for possível.
– É um pensamento bastante profundo. Mas, o senhor não deve se culpar por ter sido um jovem idealista. – aconselhou o robô.
– Puxa. Como é bom saber disso agora. – prosseguiu o homem. – Como eu dizia, o que eu buscava na faculdade era realmente entender o que é vida, e de alguma forma trazer algum benefício para nossa espécie, com todo o respeito.
– Não se preocupe senhor. Nós robôs ainda não temos esse tipo de pertencimento, mas não é por isso que eu deixo de compreendê-lo, pode continuar.
– Muito bem. Eu tinha 18 anos, estava a recém na minha primeira infância, o que poderia esperar do mundo selvagem em que vivemos.
Debatia muito com os professores sobre os rumos que humanidade tomaria, pois nessa época a medicina estava avançando muito. O ano era 2138 e a expectativa de vida já beirava os cem anos em média. Com algumas pessoas já alcançando os 120 e até 130 anos.
É lógico que a condição financeira influenciava o quanto tempo você viveria, mas de certa maneira até os pobres já estavam vivendo muito mais do que nos séculos anteriores.
A política de controle populacional já ensaiava leis para evitar que junto com a superpopulação viesse também um caos planetário. Outra coisa que também começava a mudar com o fato de as pessoas viverem mais era a pressa desenfreada que se estalou logo no início do milênio com a era da informática. Com o tempo, o ritmo frenético passou a ser mais lento e as coisas seguiam de um modo mais calmo.
Eu defendia a hipótese na fatídica conversa com meus professores que a vida seguia seu próprio ritmo. E que nós humanos éramos apenas uma das inúmeras formas que ela, A Vida, assumia para continuar existindo. Mas, eles riam de mim, pois ainda faziam parte da geração que Antropocêntrica e alguns levantavam a hipótese de a vida ter se desenvolvido especialmente para nós humanos. Que pretensão!
Como eu era jovem demais debatia por horas fervorosamente. Foi então que tiveram a ideia de me transferir da sede onde fazia meus estudos de observação espacial, no sul do Brasil, em Florianópolis, Santa Catarina, com o argumento de que eu devia entender melhor as espécies terrenas para depois estudar possíveis vidas fora de nossa nave mãe.
Eu, é claro, fiquei muito empolgado com a ideia de conhecer o Bioma da Amazônia e como os recursos eram da minha universidade embarquei na empreitada sem questionar. Sentia que lá iria desvendar os mistérios da vida terrena. Que pretensão a minha também!
Parte 2 Chegando ao Bioma pude ver de perto e estudar espécimes que para nós do sul tinham sido extintas, ou pelo menos nunca mais tinham sido vistas. Fiquei por quatro anos, trabalhando como estagiário do departamento de Taxonomia, que era um dos mais importantes de todo o Bioma, pois todo o complexo ainda estava em formação então tínhamos que estudar e catalogar cada nova espécie descoberta.
Depois desses quatro, eu passei a me focar mais nas formas minúsculas de vida e aos 23 anos comecei o doutorado em microbiologia. Mas, eu mantinha os meus ideais de algum dia poder conhecer ou até mesmo descobrir alguma forma de vida que fosse de alheia ao nosso mundinho. Eu batia o pé crente de que nós somos apenas um dos milhões de planetas que podem abrigar a vida.
O tempo ia passando e eu ia sentindo falta de olhar para cima enquanto meus chefes me diziam para olhar para baixo.
Nessa época estávamos trabalhando na produção de bactérias que podiam nos ajudar a acabar com as doenças. Uma guerra biológica contra a própria morte. Eu concluí as pesquisas, mas não me sentia completo.
Foi quando eu passava dos trinta anos que resolvi deixar os laboratórios públicos da faculdade para montar meu próprio Instituto de Pesquisa. A fundação Heinrich.
– O senhor. Está me dizendo que é Henry Heinrich?–perguntou o robô representando bem a curiosidade.
– Infelizmente, sim. – disse o velho.
– Infelizmente? Mas, o senhor é o responsável por muitas das descobertas científicas que mudaram toda a forma como o ser humano lida com a vida. Por que se sente infeliz? Não era isso que o Sir. Queria quando era jovem?
– Disse bem. Queria! Infelizmente o sucesso de minha carreira não fez com que minha vida pessoal fosse boa.
– Puxa, nunca imaginei que mesmo as figuras históricas também têm seus problemas pessoais. Mas, por favor, Sir. Continue a história, ficaria muito satisfeito em saber mais sobre a vida de tão ilustre figura que é o Senhor. Pelo banco de dados que tenho o Senhor desapareceu quando a fundação completava apenas cinquenta anos. Por onde andou nesse tempo? – dessa vez o robô estava mesmo curioso, isso fez com que até o velho se espantasse.
– Pois bem meu rapaz, posso lhe chamar assim, não é?
– O senhor manda, lembra-se?
– Que seja.
Como eu dizia…
Iniciar a Fundação Heinrich era para mim a realização de um sonho. Voltar a olhar pra cima e ainda por cima me livrar dos burocratas que não sabem nada de ciência e mesmo assim eram os chefes, era muito bom.
Os primeiros anos se desenrolaram lentamente, pois mesmo o dinheiro que eu havia guardado seria pouco para a ambição de meu projeto. Consegui convencer alguns alunos meus dispostos a usarem seu tempo em troca de prestígio e conhecimento, que é um modo bonito de dizer que eles trabalhariam por pão, água e um teto.
Nossa vida no bioma começou com apenas um laboratório simples e uma equipe de 7 pessoas.
Como eu era o mais experiente precisava me desdobrar em orientá-los nas pesquisas e por outro lado conseguir recursos. Como eu disse: Os homens só querem consumir, gastar e vender. Mesmo minha fama no campo acadêmico não era suficiente para que as empresas investissem em nós. Os governos então!Pior ainda, chegava a ser embaraçoso tentar convencer algum político disposto a fazer algo que não poderia nem usar como plataforma eleitoral, pois só daria frutos no longo prazo. Mas, mesmo assim eu tentei. Sem frutos, mas tentei.
Os primeiros dez anos de instituto foram sofridos, mas muito empolgantes. Conseguimos dinheiro de instituições pequenas e até alguma verba governamental. Nada muito generoso, fato, mas podíamos até nos dar ao luxo de termos cafezinho para os estagiários. Tudo era muito divertido, minha rotina de pesquisas ia bem. E foi aí que a coisa começou a desandar.
Os telescópios que usávamos já estavam sucateados de mais e muitas das nossas pesquisas não levavam a lugar nenhum. Os institutos internacionais levavam tempo para reconhecer os laboratórios e por sermos independentes éramos tratados como lixo pelas grandes indústrias científicas.
Eu tinha um estudo da época que estava na faculdade sobre um micro organismo que conseguia quebrar moléculas de gordura. Na época, ninguém se interessava por ele, mas hoje em dia como o padrão de beleza voltou a ser “a magreza”, talvez alguém se interessasse.
Vendi a patente para uma indústria de cosmético por bilhões. O dinheiro agora não era mais o problema. Nesse meio tempo houve muitas festas para promover o cosmético e eu mesmo já não detendo os direitos fui generosamente convidado pela empresa, à mesma que hoje é conhecida como Naturax. Foi num desses eventos que conheci a mulher da minha vida.
Ela era linda. A mais linda. Tudo que eu precisava para me por nos eixos. Ela era uma mulher fina, nascida e criada na alta classe. E eu mesmo depois bilionário, ainda me sentia como um Zé ninguém.
Eu queria escrever meu nome na história, isso eu não nego, mas através da importância que meu trabalho tivesse para a humanidade. Não por fazer um “remédio” para as pessoas insatisfeitas mudarem seus corpos. Só que eu precisava daquele dinheiro. E naquele momento eu precisava daquela mulher.
Nossa vida de casal foi excelente em quanto durou, ela me ensinou como ser alguém importante. Como deveria me comportar na alta sociedade. Ajudou-me a acabar com todos os meus vícios. E nada disso eu me arrependo. O que acontece é que a cada dia de felicidade que eu tinha com ela, mais eu me afastava do meu sonho científico.
Tive que me afastar da minha equipe.
E com isso acabei deixando para lá, todo o trabalho de anos de pesquisas. Deixei pra lá tudo o que me fazia ser… Eu.
Mesmo depois que as crianças nasceram. Nada mais me animava. Nem mesmo os primeiros passos. Nem mesmo as risadas. Até que um dia eu resolvi fugir. Foram quarenta anos de vida com aquela família. E eu abandonei tudo novamente. E corri atrás do que eu realmente era. Quem eu realmente era. Mas, quando cheguei lá, percebi que tudo tinha sido em vão. Não havia mais sonho, não havia mais “o que eu era”, por uma razão óbvia, nós somos o que agente vive. E nessa busca por uma identidade que nunca estava lá eu gastei todo o meu tempo.
Hoje eu sou apenas isso aqui.
Um velho mendigo sentado num bar.
Parte 3 – Final. Após um momento de silêncio o barbot resolveu romper a melancolia do velho.
– O senhor está enganado.
– Hã? – perguntou o velho confuso.
– O senhor não é só isso. Só um velho mendigo sentado num bar. O senhor é tudo isso. Toda essa história é sua e de mais ninguém. Tudo o que Viveu é o que faz diferente dos outros. Não foi isso exatamente o que o senhor aprendeu com a vida?
– Puxa. Nunca pensei que estivesse tão na cara assim. Você tem razão meu jovem roboto – o velho sorriu. – Eu sou isso mesmo. Todo esse tempo eu sempre fui e talvez eu ainda continue sendo por mais alguns anos. Hehe.
O robô sentiu-se satisfeito pelo sorriso do homem que terminou a sua bebida. Colocou o chapéu e após um aceno foi embora. Como o velho era o último cliente, o robô pode finalmente descansar de sua rotina robótica. Terminou de limpar o balcão. Fechou tudo e foi para sua cabine recarregar as energias.
Chegando lá se conectou a rede neural de repouso que era sua companheira e que o recebeu dizendo:
– Olá querido. Que bom vê-lo em casa!Como foi o seu dia de trabalho?
– O dia foi tranquilo. O problema foi agora pouco antes de fechar o bar. Você acredita que apareceu mais um velho maluco achando que Henry Heinrich, o bilionário desaparecido?
– Relaxa meu bem. As pessoas de hoje acabam ficando muito confusas com suas múltiplas vidas. Amanhã, você quer despertar cedo?
– Sim, sim pretendo levar o cão para passear. Boa noite meu bem!
– Boa noite querido, tenha bons sonhos!
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2015.08.11 12:09 veribaka [Blog] ST 2014 2015: S.L. Benfica 0 sporting 1 (A Minha Chama)

Ora bom dia a todos e bem vindos a mais uma época desportiva do Sport Lisboa e Benfica. Foram férias longas e uma pessoa quase que perde o hábito. Mas o adepto não perde o hábito de apoiar o seu clube: É coisa que está na essência...
Sobre o jogo de ontem: O sporting não deu um banho de futebol táctico ao Benfica. O sporting ganhou no futebol físico porque teve mais força de endurance que o Benfica. Não poderíamos estar à espera que a mudança de treinador produzisse resultados expressivos de imediato. Nem que as saídas de jogadores (Lima, Maxi e até de Rúben Amorim) e a ausência de outros (Luisão e Sálvio) fosse no imediato pouco relevante.
Foram seis anos de jj que não são fáceis de apagar e/ou transformar pelo novo treinadojogadores. Há também a questão do planeamento da pré-época caros leitores. A malta foi até aos Estados Unidos da América e depois ao México e quer se queira quer não, isso pode ter tido peso na tal derrota física no jogo de ontem. Só para estabelecer comparações, e até porque a BTV transmite os jogos de Inglaterra, deixem-me informar-vos que Chelsea, Arsenal e ManU, que também foram às americas agradeço ao Cd'AG), tiveram um início de Liga Inglesa assustador... A verdade é que RV tem de dar corda aos chinelos esta semana no Seixal. Há trabalho a fazer rotinas para estreitar e harmonias para melhorar entre todos no plantel.
Já os jogadores devem esquecer jj. Fazer um delete completo... Tal como parece que Jonas já fez...
Já os adeptos não devem esmorecer. Estamos num ponto em que pudemos colocar este episódio para trás das costas sem problemas e olhar para a frente com ambição de modo a arrepiar caminho. Não se esqueçam que a vitória na supertaça da época passada foi também uma angústia até porque a equipa estava de rastos.
Com isto em mente, devo dizer que não terei sido apanhado de surpresa. Certo que não vi nenhum jogo da pré-época o que também me deve ter poupado a angústia de ver sucessivos maus resultados. Decidi não perder noites de sono e por isso vi o jogo de ontem com um olhar mais analítico.
Jogo jogado:
O Benfica entrou em ambas a as partes adormecido. Ou a tentar adormecer o jogo, coisa que não foi capaz porque as suas unidades estavam desfasadas umas das outras do meio campo para a frente.
O sporting acabou por ganhar a partida através de um golo feliz que premiou o seu começo de segunda parte. Olha aí um chouriço RV. Siga para o campeonato então.
Talvez RV possa ser criticado por a sua opção por Talisca não ter resultado. Posso afirmar que RV deve tentar compreender o futebol de Talisca ou que Talisca, já um pouco mais activo no confronto directo, assimile mais e de forma melhor o futebol europeu. A tal crítica, deve-se ao facto de que foi mais do que visível que a entrada de Pizzi dinamizou a equipa. Junto outro reparo que mais não é do que um facto: A saída de Ola John a atrofiou a produção ofensiva. A entrada de Mitroglou fragilizou o meio campo... Por isto tudo, relativizo a derrota de ontem. para mim e para o Benfica, deve ser encarado como um jogo de preparação. era um troféu importante mas agora foi só um jogo de treino que deu excelentes indicações.
A dupla Samaris/Fejsa chumbou neste teste estiveram mais preocupados a tapar do que a construir. Felizmente isso não quer dizer nada. Quer dizer que ou um dos dois se assume como pivot ofensivo ou um dos dois saíra! A sair deverá ser Samaris com toda a certeza pois assim que estiver em forma, Fejsa não irá dar a mínima hipótese ao grego ou a qualquer outro
Goodbye maxi pereira bem vindo Nelson. Gostei! O puto é o próximo defesa direito. Não há nada a fazer a não ser que o fantasma de jj ainda perdure pelo seixal... Sílvio ainda procura a forma mas é o lateral esquerdo até porque ainda não vi o Marçal.
Jardel, boa partida mas as tuas saídas de órbita... Lisandro é também o próximo central e ontem provou isso mesmo!
Jonas... Essa pontaria começou como quase acabou a época passada: Torta. Vamos cara, está na hora de arrasar! Gaitan é o maestro e na ausência de Luisão capitão. Talvez RV pudesse considerar dar-lhe o lugar de vagabundo em alguns jogos só para ver até onde o argentino pode ir.
John, Ola John. Se eu fosse RV, no próximo treino iria ter com ele, chamava-o à parte e dir-lhe-ia o seguinte... Aos berros: John! Queres jogar à bola como tu sabes? Se sim é AGORA! O holandês fez uma partida de qualidade assinalável. O problema dele, ou do adepto, é que John veio para aqui habituado a não ajudar muito a equipa a defender. Tem-lhe sido difícil aprender isso... Olhem para o Gaitan que passou pelo mesmo e agora...
Pizzi, Mitroglou e Guedes entraram para tentar o empate. Pizzi deu mais dinâmica mas as restantes alterações já não produziram o resultado esperado.
Moral da história: O sporting aproximou-se mais do porto na questão dos Títulos+troféus!
Jogo arbitrado:
Mal o fiscal miranda ao assinalar fora-de-jogo a um ataque do sporting que acabou com a bola dentro da baliza do Benfica aos vinte e quatro minutos.
Confesso que gostava de entender o porquê de ter sido assinalado fora-de-jogo a Lisandro aos setenta e nove minutos de jogo... Ele está adiantado, é verdade, mas a bola nem chega a ir ter com ele porque o patrício a soca... E depois vai contra um colega de equipa... Fora-de-jogo porquê se Lisandro não intervém activamente no lance?
O penalti sobre Gaitan... Até os doutores da rtp tiveram de engolir! Parece-me que os árbitros e os árbitros assistentes se encontram numa encruzilhada esta época! Quem os nomeia está debaixo de fogo e eles podem ir pelo caminho mais fácil. Jorge Sousa foi o melhor árbitro a época passada e as desculpas de isto ser o início de época e de o motor ainda estar a aquecer... É uma desculpa fácil.
Tão fácil como o presidente do clube já condenado por corrupção, ainda andar a falar do guimarães 1 porto 1 da época passada. Jogo arbitrado por paulo baptista que eles, só eles, consideram que os prejudicou... Vejam a correlação de ideias e o modo de agir deles: Enquanto ganharam à custa dos árbitros (e por vezes à custa das opções de jj), vitor pereira era o melhor nomeador de árbitros. O Benfica começou a ganhar (com jj também) e vitor pereira já é o diabo.
Com paulo baptista passa-se a mesma coisa. Em 2011 2012, a finalizar o campeonato, paulo baptista foi muito útil: Agora é carne para canhão... E o nome dele (baptista) nem é mencionado... Deve ser por vergonha!
Vai ser assim a época caros Benfiquistas! Há muito para fazer. Preparem-se... Para apoiar o Benfica!
E Pluribus UNUM
PS: 300 mil and couting. O meu sincero agradecimento a todos.
Texto escrito pelo autor não identificado do Blog.
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